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terça-feira, 19 de junho de 2018

Viagem pelo Peru


A viagem ao Peru é a realização de um sonho, pois visitar Machu Pichu faz parte, já há muito, do meu imaginário. Por isso, já eram horas de o concretizar. Mas visitar apenas um sitio não faz parte dos meus planos mas sim visitar o mais possível de um país e de preferência de mochila às costas. 
E assim foi planeada a viagem ao Peru: 

Dia 1 - Lima/voo para Cusco
Dia 2 - Cusco
Dia 3 - Vale Sagrado/comboio Ollantaytambo-Águas Calientes
Dia 4 - Machu Pichu/comboio Águas Calientes-Cusco
Dia 5 - Montanhas Coloridas
Dia 6 - bus para Puno/bus nocturno para Arequipa
Dia 7 - Arequipa
Dia 8 - Canhão de Colca
Dia 9 - voo para Lima
Dia 10 - Lima
Dia 11 - visita a Paracas/Huacachina
Dia 12 - Lima/Lisboa

Para nós o Peru começou em Cusco. A visita a Cusco é obrigatória, pois para além de ser a cidade base para visitar o sítio Arqueológico de Machu Picchu é também considerada a mais bela cidade do continente sul-americano.
É realmente uma cidade deslumbrante cheia de história e com um património impressionante...fiquei logo apaixonada pela cidade.
Há quem diga que não se deve começar por Cusco pela sua elevada altitude (3400m) e que se deve ir subindo gradualmente para aclimatizar o corpo. No entanto, devido à nossa falta de tempo tivemos que optar por este inicio. 
É verdade que os efeitos de altitude afectam-nos bastante e que os primeiros dias são um pouco difíceis. Logo no 1.º dia enquanto passeávamos pelas ruas começámos a sentir estes efeitos. Sente-se uma dor, tipo aperto no peito, quando respirámos e um cansaço absurdo ao caminhar micro distâncias. O coração acelera com o mínimo de esforço e por vezes sente-se uma pressão muito grande na cabeça. 
Existem algumas coisas que podemos fazer para ajudar o corpo adaptar-se mais rápido, como a folha de coca que é super conhecida no Peru, Chile e Bolívia por ser medicinal, não só para a altitude, mas também por ter efeitos analgésicos, diuréticos e auxiliar a digestão. 
E não, ela não provoca qualquer efeito alucinogeneo...ela vai fazer com que circule mais oxigénio no corpo, melhorando assim todo o seu funcionamento. 
Assim, logo pelo manhã, em praticamente todos os alojamentos, o que dão aos hóspedes ao pequeno-almoço é chá de coca. 
Visitar Cusco é deslumbrante mas fazê-lo em junho tornou-se ainda mais surpreendente pois todos os dias havia uma actividade qualquer na Plaza de Armas, o que faz parte da preparação para a festa da cidade (comemoração do solstício de inverno) no dia 24 de junho– festival religioso Inti Raymi – celebrado desde a época dos Incas. 
Para além de passear sem rumo pelas ruas de Cusco outro passeio imperdível é visitar a fortaleza de Saqsayhuaman, que fica a 3700m de altitude e que nós resolvemos fazer a pé!! A subida é bastante difícil principalmente quando ainda não estamos aclimatizados!! Mas vale pela visita, pois para além de vermos a fortaleza inca impressionante, construída com pedras gigantescas que se encaixam entre si na perfeição, aqui também existe um miradouro com uma vista maravilhosa para a cidade de Cusco!! 

De Cusco partimos para o Vale Sagrado dos Incas de taxi. O seu nome deve-se ao facto de este local ser abundante em água, e água é sinónimo de vida. Visitámos as ruínas mais famosas tais como Tambomachay, Pisaq e seu mercado (onde fizemos muitas compras!), Salinas de Maras, Moray e terminámos em Ollantaytambo. Ao longo de todo o vale as paisagens são lindíssimas, com vales verdejantes e campos de cultivo dispostos em socalcos nas encostas das imponentes montanhas. 
Em Ollantaytambo apanhámos o comboio Inca Rail (caro!!) para Águas Calientes, pequena aldeia que serve de ponto de passagem obrigatório para quem vai para Machu Pichu. 

Quanto a Machu Pichu, palavras para quê?? É a cidade perdida- cidade construída no topo de uma montanha a 2400m de altitude, no vale do rio Urubamba. É uma das 7 maravilhas do mundo.
Existem 2 turnos de visita, nós óptamos pelo da manhã. 4h45 da manhã e a fila do bus para Machu Pichu é interminável!!!...mas depois até acaba por andar rápido. Subimos a montanha ainda de noite cerrada, mas quando entrámos na cidade inca já se vislumbravam os primeiros raios solares a surgirem sobre a cidade, tornando a paisagem deslumbrante e inesquecível. Ainda bem que escolhemos este horário, pois deu para ver a cidade ainda tranquila e vazia por haver poucos turistas. 
Não há palavras para descrever o que sentimos quando nos aproximamos da cidade. Todo o cenário envolvente das montanhas e da vegetação amazónica tornam a sua localização especial. No silêncio e na tranquilidade jaz a cidade perdida que se encontra muito bem conservada. 
A construção desta cidade é intrigante, pois para além da sua inacessibilidade, trata-se de uma verdadeira obra de engenharia com a estrutura de terraços que travam o deslizamento de terras. Andar por entre as ruínas, nos templos com as pedras milimetricamente colocadas é uma experiência única. 

Para além da visita às ruínas da cidade, pode-se também visitar uma das 2 montanhas: Huayna Picchu (localizada no fundo da cidadela e comummente vista em imagens atrás das ruínas), e Montanha Machu Picchu (no lado oposto de Huayna Picchu). O meu bilhete incluía a entrada na Montanha Machu Pichu. 
O cenário no topo da montanha é maravilhoso, mas fazer este trilho foi muito difícil pois exige muito esforço. O trilho tem muitas escadas em pedra e é muito a subir. Demorei cerca de 2h atingir o topo, mas valeu pelo desafio e pela paisagem.

No final de contas, Machu Picchu é sem dúvida um lugar incrível, com uma beleza única e com uma energia especial.
O caminho de volta a Águas Calientes decidimos fazê-lo a pé o que também não foi muito fácil. Foi sempre a descer por uma escadaria entre a vegetação e que também demorou o seu tempo.

Aproveitamos ainda a estadia em Cusco para visitarmos mais um local inesquecível - a Montanha Colorida ou Montanha Arco-Íris, ou mais internacionalmente falando, Rainbow Mountain
Para lá chegar comprámos a viagem numa agência de turismo, que incluía irmos num grupo com transporte, guia, pequeno-almoço e almoço. A viagem até lá demorou cerca de 3h, por estradas estreitas e sinuosas, desprovidas de qualquer sinalização e asfalto!! Mas as paisagens são magnificas, de montanhas com neve e vales cultivados.
O pequeno-almoço e almoço foram na casa de uma aldeia, que serve de base aos caminheiros do grupo. 
Quanto ao passeio, este foi bem diferente de tudo o que fizemos até agora, pois envolveu uma caminhada difícil a uma altitude elevada. Foram 11km em 3h, com um desnível de 500m, em altitudes acima dos 4500m. Foi um verdadeiro desafio!! Cada vez que dávamos 2 passos parecia que ficávamos sem fôlego. Beber muita água ajuda aguentar melhor. Para além da altitude, também tínhamos que enfrentar o frio que se sentia. A caminhada parecia não ter fim...mas eu estava determinada a terminá-la!! E consegui, cheguei aos 5100m!! Foi o meu maior desafio até agora pois nenhum outro local me provocou tanta dificuldade. Mas valeu a pena pois a beleza do local é indescritível. Chegar ao fim e ver as cores na montanha é sem duvida um privilégio e uma oportunidade única. Chegada ao fim, também ganhei uma valente dor de cabeça e uma sensação de enjoo, mas nada que um paracetamol não resolvesse!!

De Cusco fomos para Puno numa viagem de autocarro de cerca de 6h, no Cruz del Sur. A cidade de Puno não é uma cidade muito bonita e interessante mas serve de ponto de partida para visitar o Lago Titicaca e as suas ilhas. Assim sendo, fizemos uma viagem de barco no lago até a ilha de Uros. O lago é muito grande e está a 3800m acima do nível do mar, tornando-se o lago mais alto do mundo. 60% do seu espaço pertence ao Peru e os restantes 40% à Bolívia.
Uros é uma ilha flutuante construída com juncos e raiz de tortora amarrados e sobrepostos em camadas que podem totalizar três metros de espessura e que exigem muita manutenção. Pisar a ilha é uma sensação estranha, pois parece que estamos a pisar esponja. Existem várias ilhas destas onde vivem famílias de forma muito simples e que sobrevivem à custa do turismo.

Passamos apenas um dia em Puno e no final do dia viajámos no autocarro nocturno para Arequipa
Arequipa é a segunda cidade mais populosa do Peru, localizada a 2300m de altitude. É uma cidade colonial cheia de charme, onde a Plaza de Armas marca o ponto onde tudo acontece. Aproveitamos a nossa estadia aqui para descansar um pouco, pois vale a pena perder algum tempo a explorar a cidade a pé. 
A cidade está rodeada de vulcões, que são possíveis de ver de qualquer ponto, alguns já extintos, outros ainda bem activos, e que tornam a paisagem interessante.

Para além de visitar a cidade aproveitamos também para fazer um tour de 1 dia pelo Canhão de Colca.
Dizem que o Canhão de Colca é o canhão mais profundo do Mundo, no entanto, existem outros que alegam o mesmo, tal como o Grand Canyon nos EUA. Qual o maior, não sei, mas sei que o canhão de Colca é realmente profundo. Por exemplo na Cruz do Condor, onde assistimos ao voo magistral de alguns condores, o canhão tem 1000m de profundidade. É por isso que o Condor dos Andes escolhe este local para nidificar. 
Neste dia vimos paisagens deslumbrantes. Com os picos da Cordilheira dos Andes sempre presentes, fizemos a estrada que liga Arequipa a Chivay, que está quase a 5000m acima do nivel do mar e cujas paisagens são, literalmente, de cortar a respiração!
Aqui o llama, a alpaca e o vicuña são os animais de porte que dominam a região. 
Devido à variação de paisagens e de altitude neste dia apanhámos tanto um sol escaldante como um frio gelado. Vivemos na realidade uma variedade de sensações. E sendo ou não o canhão mais profundo do mundo, o Colca merece, claramente uma visita!

De Arequipa voámos para a capital - Lima, para poupar algum tempo. 
Lima é uma capital como outra qualquer. Tem 8 milhões de habitantes com um trânsito caótico!!!! Nunca vi nada igual e eu já viajei pela Índia e Ásia!!
É também conhecida por ser uma cidade pouco segura, por isso optámos por ficar alojadas em Miraflores. É um bairro à beira-mar conhecido pela sua relativa segurança e ambiente de classe média, com centros comerciais, parques, passeios marítimos e restaurantes. Trata-se de uma zona de conforto mas se me perguntarem qual bairro prefiro escolho Barranco, que é outro bairro um pouco mais afastado mas com alguma história e com um ambiente mais descontraído e artístico. 
De Miraflores para o centro histórico íamos de "Metropolitano" cujo nome pode enganar pois trata-se de um sistema de autocarros, bastante organizado e rápido, que percorre toda a cidade. Em cerca de 20 a 30 minutos chega-se ao centro histórico, isto quando não há trânsito!!
No centro histórico de Lima, andamos bastante a pé a passear pelas ruas, visitámos o mosteiro de São Francisco e as catacumbas, bem como a Catedral que fica na grandiosa praça central, onde Francisco Pizarro fundou a cidade no século XVI - Plaza de Armas.  
Visitámos também o mercado de Lima e o bairro chinês que possui um ambiente sui generis. A certa altura achávamos que estávamos mesmo na Ásia!!!
Aproveitamos também um dos dias em Lima para fazermos um tour a Paracas, às Ilhas Ballestras e a Huacachina. 
A Reserva Nacional de Paracas corresponde a uma área protegida de águas marinhas e de deserto. Compreende uma serie de ilhas e uma área do deserto mais árido do Peru. 
Em Paracas, apanhamos um barco que nos levou até às Ilhas Ballestas. Estas ilhas possuem um ambiente marinho muito rico em plâncton, e atrai muitas aves. Por isso a população de aves é enorme. No entanto, além das aves (cerca de 200 espécies) também vivem na ilha outros animais como pinguins de Humbolt e lobos marinhos.
Ao longo do passeio, não é possível sair do barco e andar pelas ilhas pois o objectivo é reduzir ao máximo a interferência do Homem com a rotina dos animais assim como o seu habitat natural. Por isso andamos todo o tempo de barco em redor das ilhas e foi surpreendente ver os leões-marinhos, pinguins, pelicanos entre outros animais no seu estado selvagem. É literalmente um episódio do National Geographic ao vivo e a cores.

De seguida, fomos para Huacachina que é uma espécie de oásis no deserto. É uma pequena povoação com uma lagoa no meio rodeada de palmeiras e dunas de areia. Esta povoação vive essencialmente em função dos turistas. 
Uma das atracções deste local são os passeios de buggy por isso resolvemos fazer uma viagem o que foi deveras emocionante!! Percorremos alguns quilómetros a cortar dunas e a descer algumas bastante íngremes. A certa altura paramos, e o guia dá-nos uma prancha de madeira e diz-nos que estará à espera mais abaixo. Está na altura de experimentar … SANDBOARD!!! De cabeça para baixo e deitada na prancha desci a 1ª duna que não me pareceu nada difícil. Por isso resolvi descer as restantes que iam aumentando à medida que íamos avançando…E com a adrenalina no máximo desci todas as dunas. Foi uma verdadeira emoção!!
O dia terminou a vermos o pôr-do-sol e com o cenário do oásis de fundo. Foi sem duvida um dia fantástico. Regressámos a Lima e terminou assim a nossa viagem pelo Peru. 

O Peru foi um dos países que mais me surpreendeu até hoje e onde vivi algumas das minhas maiores aventuras em viagem. É um país imenso. Terra das mil e uma paisagens, aqui encontrei de tudo um pouco: praia, deserto, montanha, selva, neve…para além de uma cultura e gastronomia riquíssima. 
É, sem dúvida, um daqueles destinos que ficará na memória para sempre. 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Rota das Aldeias Históricas

Mapa distrito Guarda




Escondidas na região da Beira Interior, existem algumas aldeias históricas estrategicamente alinhadas ao longo da fronteira com Espanha, onde se travaram batalhas entre castelhanos e portugueses.
Curiosa em relação a estas aldeias e suas histórias decidi ir à aventura e percorrer, durante 4 dias, algumas estradas e caminhos pouco explorados com o objectivo de descobrir as Aldeias Históricas de Portugal.
Iniciei a viagem na cidade da Guarda.

1. Guarda

Cidade mais alta de Portugal e conhecida como a cidade dos 5 "F's" (Forte, Farta, Fria, Fiel e Formosa). Cidade com história e que acolhe uma dualidade tanto cultural como religiosa, entre católicos e judeus. É obrigatório visitar a imponente Catedral e passear pelas ruelas do centro histórico. 
Fiquei alojada na Guesthouse da Sé, situada bem no coração do centro histórico da cidade da Guarda, a dois passos da Sé. Trata-se de uma casa carismática com quartos decorados de forma tradicional.

2. Castelo Mendo

Aldeia no cimo do monte, rodeada por muralhas medievais construídas há vários séculos e que hoje protegem as ruínas de um castelo e escondem casas simples e ruas estreitas. Apesar de penosamente deserta, ou talvez por isso, é uma das aldeias históricas mais genuínas de Portugal. As muralhas tinham 8 torres que foram destruídas no grande terramoto de 1755, mas mantêm as 5 portas: porta da aldeia, da guarda, do sol, da traição e porta D.Sancho.
Durante a visita, vimos as ruínas da igreja de Santa Maria do Castelo, a Igreja de São Vicente do século XIII, o pelourinho e as casas com séculos de história.


3. Almeida

Almeida é uma pequena vila situada perto da fronteira entre Portugal e Espanha. É uma das mais fortificadas de Portugal. A sua muralha imponente em forma de estrela, foi estratégica na defesa da fronteira, ao longo dos séculos.
A vila não é grande, com uma população de cerca de 1300 pessoas, mas merece bem uma visita! No seu interior existem vários edifícios de natureza militar, e outros com uma arquitetura civil inegável.
Fiquei alojada na Casa Morgado que fica situado a pouco mais de 200 metros da aldeia histórica de Almeida e que oferece quartos simples mas extremamente cómodos.

4. Castelo Rodrigo

A pequena aldeia, situada no topo de uma colina, deve o seu nome ao conde Rodrigo Gonzalez de Girón. É uma das aldeias mais bem recuperadas, e ainda conserva em ruínas o enorme palácio no alto do monte.
O palácio é amplo e de lá tem-se uma vista magnífica para toda a região. Daqui vê-se bem Figueira de Castelo Rodrigo e, do lado oposto, o miradouro da Serra da Marofa.
A muralha que circunda a povoação tem partes que estão em ruínas mas que são bem perceptíveis quando se vê a aldeia à distância. A quase totalidade do casario está em bom estado e algumas das fachadas têm inscrições ou elementos decorativos como janelas manuelinas.

Ali perto, existe o Parque Arqueológico do Vale Côa (Património da Humanidade), com as figuras paleolíticas, que é essencial em qualquer roteiro turístico.

5. Castelo Melhor

Castelo Melhor é uma aldeia do concelho de Vila Nova de Foz Côa com pouco mais de 200 habitantes. Empoleirado no cimo do monte permanece uma muralha e um castelo em ruínas. De lá dizem que se avista uma paisagem fantástica com pombais, oliveiras e amendoeiras. Não consegui ir ver a paisagem pois, na proximidade da aldeia encontram-se os importantes sítios de arte rupestre do Vale do Côa - Núcleo Arqueológico da Penascosa. Então, decidi como tal, enveredar nesta experiência. Habitualmente, é necessário inscrição prévia para ir visitar as gravuras mas como era apenas mais 1 pessoa arranjou-se facilmente um lugar.
A viagem faz-se de jipe a todo o terreno até ao local das gravuras, e lá são explicados todos os pormenores interpretativos das gravuras pré-históricas, junto ao rio Côa. São cerca de 2 horas no local a ver e ouvir as explicações. Toda a paisagem até lá é fantástica assim como o sitio onde estão as gravuras. Vale mesmo a pena.
Após a visita às gravuras fui até Vila Nova de Foz Côa onde fiquei alojada no Hotel Vale do Côa. Visitei a cidade mas esta encontrava-se deserta. No dia seguinte visitei o Museu do Côa para compelmentar a informação que tinha recebido aquando a visita às gravuras. O Museu tem um vasto espólio proveniente de escavações realizadas, onde é possível observar pontas de lanças, partes de ferramentas e material feito de pedra que se conservou até aos nossos dias e possui ainda na parte exterior, vistas magníficas para o Vale do Côa. 

6. Marialva

Marialva pertence ao Concelho de Mêda, Distrito da Guarda e situa-se no topo de um penedo granítico, em posição dominante sobre a vila e a planície cortada pela antiga estrada romana. O castelo dominante, no alto de um íngreme penhasco e com a configuração oval das muralhas que circundam a vila, é o monumento mais importante do conjunto urbano. No entanto, não pude visitá-lo porque o posto de turismo encontrava-se fechado e era necessário pagar bilhete para visitar o castelo. Apesar de não se ver ninguém a passear nas ruas, estas estavam bastante movimentadas por carros que se dirigiam ao alojamento Casas de Côro. Talvez uma próxima vez quando for rica!! Hehe...


7. Linhares da Beira

Aldeia medieval do séc. XII, muito bem conservada, com uma diversidade arquitectónica invejável face a outras aldeias.
É o seu castelo que nos chama primeiro a atenção, ao longe, ainda antes de se chegar à aldeia. Visto de perto, somos surpreendidos pelo facto de assentar sobre um enorme penedo.
Deambular pelas suas ruas é visitar o passado e descobrir o que de mais genuíno temos no Nosso Portugal.
Ali no alto do Castelo, avista-se uma paisagem fantástica!


Estas aldeias são na sua maioria terras perdidas no tempo, quase desertas, com uma população maioritariamente idosa que nos recebe com olhares curiosos, à espera de um bom dia ou boa tarde. Possuem Castelos, pelourinhos, muralhas, igrejas e solares que são elementos comuns a quase todas elas. E acima de tudo estão inseridas em regiões de paisagens deslumbrantes.
Podem-se considerar uns verdadeiros museus a céu aberto carregados de história. Conservam as velhas tradições de Portugal e revelam evidências das consecutivas conquistas territoriais à medida que se foi formando o país que hoje conhecemos.
Vale a pena conhecer este rico património histórico que caracteriza tão bem o nosso país.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

PR3 MDB

Fisgas de Ermelo


Nada melhor que aproveitar o fim-de-semana para conhecer melhor Portugal e fazer um trilho pedestre. Desta vez, juntamo-nos 3 amigas e fomos para norte, distrito de Vila Real. Resolvemos fazer o trilho das Fisgas do Ermelo que fica em plena Serra de Alvão. É um trilho circular de aproximadamente 12,4 km com um alto grau de dificuldade mas com paisagens magnificas.
Passa por locais de interesse ambiental e geológico de que se destacam as Quedas de Água das Fisgas de Ermelo, as pequenas lagoas de água cristalina designadas por Piócas de Baixo e de Cima e as singulares aldeias de montanha.

Iniciamos o trilho nas quedas de água das Fisgas de Ermelo e daí partimos em direção às Piócas de Baixo e depois Ermelo. Nos entretantos, perdemo-nos pois deixamos de ver as marcações por distracção e perdemos algum tempo a retomar o trilho. Por sorte chegamos à aldeia de Ermelo onde fizemos uma paragem no café da aldeia que é um verdadeiro oásis. As horas já tardavam e o cansaço já teimava, e por ainda faltarem muitos quilómetros pela frente (7 km) pedimos boleia até às Piócas de Baixo e poupamos 5 km a andar. Batota, eu sei, mas tivemos receio das horas e do pôr-do-sol. Fica para a próxima!
Visitamos as Piócas de Cima e seguimos o resto do trilho até ao fim.

É sem duvida um percurso de rara beleza mas com grandes desníveis, o que o torna desafiante e que vale a pena pelas suas deslumbrantes paisagens. A Natureza em todo o seu esplendor!

Ao fim do dia, fomos para Mondim de Basto, onde pernoitamos no Hostel Carvalho. Mondim de Basto foi uma bela surpresa. Uma vila muito bonita, cheia de vida, com gente jovem e bonita. Jantamos no restaurante Casa da Cainha, que foi muito bom e recomendamos.

No dia seguinte, após o pequeno-almoço o plano era ir até a cidade de Vila Real que não fica muito distante. Chegadas lá, andamos um pouco a pé pela cidade e fizemos uma paragem na Pastelaria Gomes. Depois, seguimos viagem até Pinhão, passando por Mateus e Sabrosa. Chegamos a Pinhão à hora de almoço e nada melhor que comer numa esplanada à beira do rio Douro. Que maravilha!
Fizemos a famosa estrada N222, considerada a estrada mais romântica do país e que faz bem jus à fama que tem.
Estas paisagens do Alto Douro Vinhateiro são sem duvida de tirar o fôlego. Chegamos a Peso da Régua e tomamos a direcção para sul, para Lamego onde fizemos nova paragem para lanchar. De lá regressamos a Coimbra.
Foi sem duvida um fim-de-semana relaxante e que deu para confirmar aquilo que há muito já sabemos: Portugal é mesmo um dos países mais bonitos do mundo!


domingo, 1 de outubro de 2017

Percorrer as praias da costa alentejana

O objectivo destas férias foi conhecer as praias da costa alentejana e vicentina. Esta região é sem duvida das mais bonitas de Portugal.
Uma semana não chega para explorá-la mas é melhor do que nada. O sonho seria fazê-la numa carrinha pão de forma, mas até lá terá que ser no meu velhinho Volkswagen Polo.
A viagem iniciou-se em Porto Covo.

1. Porto Covo

Quando chegamos a Porto Covo e às pequenas praias ficamos deslumbrados com as magníficas areias brancas e águas azuis.
A aldeia de Porto Covo é tão pitoresca e pacata, que faz-nos sentir bem . Esta aldeia conseguiu ao longo dos anos, preservar toda a traça tradicional que lhe confere tamanha beleza, tornando-a especial.
Quanto ao alojamento o parque de campismo é uma boa solução. 

Aqui vale a pena visitar:
- Praia dos Buizinhos
- Praia Grande de Porto Covo
- Praia da Samoqueira
- Praia da Ilha do Pessegueiro 


2. Aljezur

Aljezur já é Algarve e vale muito a pena conhecer. A cidade de Aljezur tem um castelo na parte antiga da cidade cujas ruelas antigas e estreitas nos levam até lá.
Do alto do castelo tem-se uma vista soberba.

Nesta região vale a pena ir até:
- Praia da Amoreira. Na foz do rio de Aljezur, existe esta espectacular praia rodeada de dunas e falésias, mar e rio.
- Praia da Arrifana. Bastante conhecida e movimentada, é a praia rainha do surf do litoral de Aljezur.
Esta praia está situada numa bela enseada em forma de concha, protegida do vento e das ondas, o que a torna perfeita.
- Praia Monte Clérigo
- Praia Vale dos Homens

3. Odeceixe

É a primeira praia do Algarve para quem se desloca pelo litoral vindo do norte.
A belíssima aldeia de Odeceixe esconde esta praia magnífica com uma língua de areia na foz da ribeira de Odeceixe. A praia é magnífica, com parte de rio e mar, mas as vistas do promontório em frente são ainda mais avassaladoras.

4. Praia do Carvalhal

Terminei as ferias na praia do Carvalhal, a sul da Zambujeira do Mar. Esta é uma bela praia com um areal bastante grande, especialmente na maré baixa, e o mar magnífico.

Aqui decidi mimar-me um pouco e escolhi o Monte Carvalhal da Rocha para ficar alojada. Trata-se de um alojamento de qualidade e conforto um pouco superior aquele a que estive habituada ao longo das ferias. E revelou-se o local ideal para terminar as férias.

Perto daqui temos a Praia Azenhas do Mar, que em termos de beleza não é nada extraordinária e temos a Praia dos Machados, que é uma praia deserta sem acessos mas que vale a pena conhecer.
É possível ir a pé desta praia até a Praia do Carvalhal, pela rota vicentina,que por aqui passa.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Paris, Je T'aime


Paris, je t’aime é o mote da cidade e a verdade é que todos amamos Paris. 

E para celebrar o amor nada melhor que voltar a Paris com a família e recordar onde tudo começou, pois tanto eu como a minha irmã nascemos aqui. 

E passaram-se mais de 20 anos desde que este jovem casal (meus pais) deixou esta cidade e nunca mais cá voltaram.  

Voltar aqui com eles foi muito emocionante, foi como entrar no túnel do tempo e reencontrar os lugares onde estivemos. A cada passo na cidade contavam-nos historias dos dias que viveram e que vivemos ali e que foram marcantes na nossa história.

Um dos pontos importantes que tivemos que ter em conta na visita à cidade foi a escolha do alojamento, pois não podia ser muito caro. Por isso escolhemos um apartamento no Airbnb que para além de ser mais barato e cómodo, possibilitou-nos poupar nas refeições, pois cozinhávamos em casa. Ficamos no 20º arrondissement, com metro e supermercados perto do alojamento. 

De seguida fizemos uma lista dos lugares que queríamos visitar, planeamos bem o nosso roteiro e pusemos as pernas ao caminho...pois Paris foi feita para andar!!


Dia 1
Galerias Lafayette+Ópera de Paris
Aterramos em Paris por volta da hora de almoço. Fomos ver o nosso alojamento e logo de seguida entregamo-nos por completo à cidade.

A primeira visita foi à nossa antiga casa, na Rue Rossini. Aí encontramo-nos com os nossos familiares e todos juntos demos um passeio pelo arrondisement
A 1ª paragem foram as Galerias Lafayette e aí entramos e subimos aos terraços de onde temos uma vista soberba sobre a cidade. 
Seguimos a caminhada e passamos pela Ópera de Paris onde apreciámos a sua arquitectura impressionante com a sua fachada magnifica e escadaria em mármore. Aí nas escadarias ficamos um pouco assistir a um concerto de rua que atraía muita gente. 
Continuamos a caminhada pelo Boulevard des Italiens, sentamo-nos numa esplanada e aproveitamos a happy hour para tomar um refresco. 


Dia 2
Catedral de Notre-Dame+Panthéon+Jardim de Luxembourg+Boulevard Saint-Germain des Prés
Saímos no metro na estação de Notre-Dame e fomos visitar a Catedral que é um dos melhores exemplos da arquitectura gótica francesa, na lista do Património Mundial da UNESCO. Fomos para a fila pois a visita é gratuita e vale a pena.  
No fim da visita, contornamos a Catedral, atravessamos o rio em direcção ao Pantheon, passando por alguns edifícios notáveis como a Sorbonne. Entramos no monumental Pantheon, que funciona como um mausoléu secular contendo os restos mortais de cidadãos franceses ilustres.
De seguida fomos para os Jardins de Luxemburgo que são o local perfeito para descansar e aí aproveitamos para almoçar.
Continuamos o passeio pelo Quartier Latin. Aqui neste bairro foi a primeira residência dos meus pais quando chegaram a França. Imagino o espanto deste jovem casal emigrante na altura!
Aqui aproveitamos para comprar uns Macarrons numa das mais famosas lojas de confeitaria de Paris - Pierre Hermé. Que delícia!!!
Seguimos até a beira rio onde fizemos um passeio pelas margens do Sena e aproveitamos para contemplar o rio.
Atravessamos o rio e fomos apanhar o metro na Place de la Concorde


Dia 3
Museu do Louvre+Le Marais+Centro George Pompidou
O dia foi passado no Museu do Louvre a ver as obras de arte mundialmente conhecidas e não só. Visitar este museu é sempre um deslumbre. A visita durou o dia todo e por isso acabamos por almoçar dentro do museu. 
À tarde, no final da visita fomos de metro para o bairro Le Marais - um bairro trendy cheio de street art, galerias de arte, boutiques de moda... um bairro onde a arte moderna está muito presente. Apreciamos o exterior do Centre George Pompidou com a sua arquitetura muito própria de cores e tubagens a sobressair. 
Aí aproveitamos o bom tempo e mais uma vez a happy hour, terminando o dia numa esplanada a beber cerveja. 

Dia 4
Place du Trocadero+Torre Eiffel+ Champ de Mars+Les Invalides
Saímos na estação de metro perto da Place du Trocadero e logo logo demo-nos de caras com o monumento mais emblemático da cidade - a Tour Eiffel. Dali a vista é fantástica!!
Chegamos à Torre Eiffel que é o símbolo da cidade de Paris e de França e por isso não se pode perder a visita a este monumento tão icónico. As filas para subir são enormes mas vale a pena a espera. Pode-se subir a pé ou de elevador. Nós optamos pela 2ª opção depois de esperarmos 3-4 horas na fila. Visitamos os 3 andares que têm vistas magnificas sobre a cidade. 
De seguida, fomos a caminhar pela grande área verde logo a seguir à torre que se chama Champ de Mars. Aproveitamos o sol e o bom tempo para fazermos um pic-nic e almoçamos na relva.
Seguimos para o Hotel Royal des Invalides que sobressai na paisagem com a sua cúpula dourada, sob a qual está o túmulo de Napoleão Bonaparte. Com muita pena nossa não conseguimos entrar pois já estava a fechar. Atravessamos então a ponte mais bonita da cidade - Ponte Alexandre III e terminamos a caminhada na Place de la Concorde para apanhar o metro.

Dia 5
Sacré-Coeur+Montmartre+Arco do Triunfo+Avenida des Champs-Élysées
Fomos de metro até a zona do Sacre-Coeur, subimos a encosta e visitamos a catedral. Do cimo as vistas sobre a cidade são magníficas!!
Continuamos a caminhar pelo bairro de Montmartre que está cheio de bares, cafés, tascas, restaurantes e lojas trendy. Um dos meus locais preferidos de Paris. 
Passamos também pelo bairro de Pigalle, local onde nasceu o cabaré parisiense. Hoje as ruas estão cheias de sexshops e casas de espectáculo ligadas ao sexo.
De seguida seguimos até o Arco de Triunfo. Saímos na estação de metro quase por baixo do arco. Aí visitamos o Monumento ao Soldado Desconhecido.
Depois fomos a caminhar pela avenida mais glamorosa de Paris - Champs-Elyseés e aí ficamos um pouco a contemplar toda a sua dinâmica.

Dia 6
Neste ultimo dia aproveitamos para conhecer melhor o bairro onde estávamos alojados e por isso nada melhor que visitar um mercado. Todos os dias da semana existem mercados em vários pontos da cidade e parar num deles é um must doSão mercados que se montam de manhã e desmontam à tarde e há mercados para todos os gostos, velharias, roupa, flores, e comidas. Este que visitámos era de comida, onde a variedade de queijos era de salivar só de olhar!!
Chegado o tempo, fomos para o aeroporto e regressamos a Portugal.


A visita à cidade foi uma verdadeira viagem no tempo em família. Soube bem voltar onde tudo começou. 
O roteiro foi bastante ambicioso com muita caminhada mas todos adoramos esta viagem, pois Paris é uma cidade fantástica onde tudo é lindo!!!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pelo Médio-Oriente: Jordânia e Dubai


O Médio-Oriente revelou-se uma região cheia de encantos, com principal destaque para a Jordânia.

A Jordânia é um país surpreendente, acolhedor e seguro, tendo em conta a região do globo onde se encontra. Percorremos o país de carro, de norte a sul e a verdade é que os check-points nas estradas são uma constante, sobretudo nas estradas que ligam à Síria e aos territórios palestinianos. Mas tudo com muita tranquilidade.

O povo jordano é extremamente simpático, pois a frase mais ouvida durante a nossa estadia foi "Welcome to Jordan". Por todo lado onde deambulávamos sozinhas não só não tivemos qualquer tipo de problema como fomos surpreendidas pela arte de bem receber e pela simpatia das pessoas, na sua generalidade, sempre disponíveis para nos ajudarem.

Tudo isto contribuiu para tornar a nossa estadia muito agradável neste pequeno mas surpreendente país. Imagem que teima em não aparecer nos media!

A viagem começou pela capital Amã. Esta divide-se em parte moderna e parte antiga. Nós optamos por ficar alojadas na parte antiga, mais perto das atracções turísticas. Visitámos o Teatro Romano, a Citadela, outrora designada por Philadelphia quando dominada pelo Império Romano. Daqui a vista sobre a cidade é magnifica pois avistam-se todas as suas colinas (19). Assistir daqui de cima a última oração do dia é também uma experiência soberba. Ouvir as mesquitas entoarem o cântico a convocar os fiéis, é indescritível pois a melodia propaga-se pela cidade, tornando o momento místico e único.

Contudo, a Jordânia tem um aspecto menos positivo.
A rede de transportes públicos é quase inexistente e por isso a deslocação pelo país torna-se muito difícil. Por essa razão tivemos que recorrer a um motorista para nos transportar aos sítios. Encontrámos o Fouad ao acaso que se revelou uma bela surpresa pois tornou a viagem única.
Mostrámos-lhe o nosso roteiro, ele propôs um preço e lá nos pusemos por estrada fora de norte a sul.

A primeira paragem foi o Mar Morto, um dos ícones do Médio Oriente e que banha a Jordânia, Israel e Cisjordânia. É o local com maior altitude negativa do planeta, pois está 390m abaixo do nivel do mar. E por isso existe uma alta concentração de sal na água. Como resultado o desenvolvimento de vida é impossível e quando estamos dentro de água passámos o tempo todo a flutuar. Mal se entra na água deixamo-nos levantar, o nosso corpo bóia e é difícil voltar a colocarmo-nos de pé. É uma sensação extraordinária e indescritível. É diferente de tudo o que já experimentei. O acesso ao mar poderá se tornar difícil quando não é feita por um hotel e tem que se pagar. Nós fomos pela praia publica Amman Beach, pela quantia de 18JOD com direito a piscina no final.

Muitos dos locais de importância bíblica espalham-se por esta região, pois coincide com a linha de fronteira entre a Jordânia e Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel desde 1967. Um destes locais bíblicos é o Monte Nebo, que se ergue no final de uma cadeia montanhosa, na orla do Mar Morto. Trata-se de um cume com vista para Jericó, Belém e Jerusalém, que ficam do outro lado da fronteira. E é por estas vistas que este monte é conhecido na bíblia, pois é daqui que Moisés terá avistado a Terra Prometida. Nós não tivemos essa sorte pois a neblina não deixou. Aqui neste local ergue-se uma basílica e é considerado lugar santo.

À medida que vamos percorrendo as estradas da Jordânia é possível observar um pouco por todo o caminho beduínos e suas tendas. Estes são um povo nómada nativo que constituem uma fracção considerável da população. É curioso ver a forma primitiva como vivem. São gentes do deserto, que vivem da pastorícia, vivem dependentes da natureza e cuja vida se torna por vezes muito penosa.

Terminámos o 1º dia em Madaba que é uma pequena cidade calma e que a partir do séc. IV tornou-se um importante centro de Cristandade, e hoje continua a ser a cidade da Jordânia com maior presença de cristãos e de igrejas cristãs. As principais atracções turísticas da cidade estão relacionadas com o mosaico da Igreja de S. Jorge que representa o mapa mais antigo da Terra Santa.

No 2º dia, reiniciámos a viagem e rumámos pela Estrada do Rei, estrada de 330 km, cheia de história que liga o norte ao sul. Por aqui passaram judeus a caminho da Terra Santa, Nabateus a caminho de Petra, Cruzados a caminho das suas fortalezas no deserto e peregrinos islâmicos a caminho de Meca.
Logo nos deparamos com a magnifica e imponente garganta de Wadi Mujib, desfiladeiro cuja beleza e imponência arrasa com os nossos sentidos.
A paragem seguinte foi Al-Karak, cidade mais conhecida por albergar uma pérola da engenharia dos Cruzados, a fortaleza de Karak, quartel-general dos Cruzados no séc. XII.
A outra paragem foi o Castelo de Shobak, mais um castelo dos cruzados, este isolado num promontório rochoso e também uma verdadeira fortaleza.
Continuámos viagem até Petra, onde terminámos o dia, a ver o pôr-do-sol , no terraço do nosso alojamento Valentin Inn (http://www.valentine-inn.com/) e a beber chá, ritual agradável deste país.

O 3º e 4º dia foram completamente dedicados a Petra, sem dúvida a maior atracção turística da Jordânia. Para se visitar todos os locais de Petra são necessários vários dias e é por essa razão que existem bilhetes de 1, 2 ou 3 dias. Nós comprámos um bilhete de 2 dias que nos custou 55 JOD (aproximadamente 70€).
Petra é uma cidade que foi construída pelos Nabateus, cujo sucesso deste povo assentou no aproveitamento, controle e conservação da água, bem precioso e escasso neste terreno desértico.
A cidade é constituída pelo Siq - a serpente, que é a entrada para Petra, que nos leva até o Tesouro e até muitos outros monumentos.
Percorrer o Siq é por si só uma experiência memorável. Caminhar ao longo deste e visualizar as rochas erodidas pelo tempo com as suas tonalidades é algo mágico!
Outro momento único é aquele em que a fachada do Tesouro surge por uma abertura nas escuras e apertadas paredes do Siq. Este monumento é o mais bem conservado da cidade, com uma fachada  de tirar a respiração e que tem este nome, pois pensava-se que albergava o tesouro de um rei.
A cidade está cheia de trilhos, e fazer o trilho para subir ao ponto alto onde se tem uma vista privilegiada do Tesouro é algo impressionante. O trilho é um pouco difícil, pois é sempre a subir, mas vale muito a pena!
Outro dos monumentos emblemáticos desta cidade é o Mosteiro, que fizemos no 2º dia. Para lá chegar, tivemos que subir 800 degraus, tarefa árdua mas que também vale muito a pena. Há a possibilidade de subir de burro, mas nós optámos por ir a pé. Claro!

5º dia e deslumbradas com Petra, seguimos viagem para o deserto Wadi Rum. Tentar enumerar o que Wadi Rum tem de especial é tarefa dificil, digamos que é como entrar noutro mundo. Trata-se de um deserto com uma vastidão de areias rosa onde se erguem monumentais rochas verticais esculpidas pelo tempo. Percorremos uma pequena parte do deserto de jipe para contemplar a paisagem magnifica.
As tribos beduínas são a alma de Wadi Rum. Pernoitámos num acampamento no deserto, onde fomos muito bem recebidas pelo beduíno Said. Passámos a noite a conversar, comer e a beber chá à beira de uma fogueira. O jantar foi tipicamente beduíno, ou seja, confeccionado na Zaarp, forno escavado na areia e revestido com brasas onde se coloca a carne, batatas e os vegetais, durante horas. O resultado é absolutamente delicioso.

No 6º dia de viagem saímos do deserto e fomos dar um salto à cidade de Aqaba, que fica no sul da Jordânia e faz fronteira com a Arábia Saudita e o Egipto. É uma cidade grande e moderna que nada parece ter haver com o resto da Jordânia. Parece o Algarve jordano. Banhada pelo Golfo de Aqaba com águas quentes e um clima veraneante durante todo o ano, aqui fomos dar um mergulho no Mar Vermelho, numa praia publica, que se tornou um pouco desconfortável pelos olhares perscrutadores. Daí haver praias publicas e privadas!! Foi uma experiência.
Saímos de Aqaba e voltámos a Amman de carro que demorou praticamente o resto do dia.

Todas as experiências vividas ao longo desta viagem contribuíram para tornar a nossa estadia neste pequeno, mas surpreendente país, muito agradável, onde a modernidade e a tradição andam de braço dado e as maravilhas do Homem e da Natureza surgem um pouco por todo o lado.

De Amman viajámos para o Dubai de avião. O Dubai é uma cidade dos Emirados Estados Unidos. É uma cidade com edifícios futuristas, ilhas artificiais, centros comerciais gigantes, hotéis de luxo, projectos megalómanos, carros de luxo, mulheres vestidas de preto e homens vestidos de branco. É um mundo completamente diferente de tudo o que já vi!
Aqui visitámos a torre mais alta do mundo - Burj Kalifa e o maior centro comercial do mundo - Dubai Mall.
A parte mais interessante foi visitar a parte mais antiga da cidade onde existem souks que são mercados de rua onde se vende tudo: especiarias, tecidos, souvenirs, etc. e onde a palavra de ordem para comprar é regatear! Aqui também visitámos o Gold Souk, famoso pela venda de ouro e jóias a um valor mais barato que no resto do mundo.
Fomos ainda a Abu Dhabi, a capital do país e aqui visitámos a mesquita Sheikh Zayed, a terceira maior do mundo e que apresenta uma belíssima arquitectura islâmica.

O Dubai foi uma experiência diferente e que valeu a pena conhecer pois pude contactar com um mundo moderno, extravagante e diferente do que estou habituada.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno




A exposição "José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno" está patente na Fundação Calouste Gulbenkian entre 03 de Fevereiro a 05 de Maio de 2017. 



Pintor, artista gráfico, autor de livros, com ligação ao cinema e ao teatro, aqui se expõe um património capaz de o colocar como homem do século XX.

É uma exposição imperdível, para ver e apreciar sem pressas.