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sábado, 4 de maio de 2024

Viagem de carro por Ávila e Segóvia

Aproveitei o feriado 1 de Maio para fazer uma escapadinha de carro por Castela e Leão, de forma a visitar as cidades espanholas de Ávila e Segóvia.

De Coimbra a Ávila são cerca de 425km. Saímos de Coimbra de manhãzinha e chegámos a Avila por volta das 16h30, com paragens pelo meio.

Ávila é conhecida como a cidade-berço de Santa Teresa e a sede da Grande Inquisição, declarada Património Mundial da UNESCO.

Um dos destaques da cidade é a sua muralha medieval, pois é umas das muralhas medievais mais bem preservadas da Europa, cuja planta mantém-se inalterada e intacta, tendo sido palco de várias batalhas entre mouros e cristãos. E quando se chega a Ávila, realmente ninguém lhe fica indiferente pela sua magnitude.


O centro histórico de Ávila é pequeno, no entanto, alberga uma grande diversidade de monumentos e atrações históricas, incluindo igrejas, conventos e palácios.

Fomos sem grandes planos e andámos a calcorrear as ruas empedradas descontraidamente e acabámos por ficar encantadas com a cidade.

Ficámos alojadas 2 noites no Hotel las Leyendas, que apesar de estar situado extramuros, está muito bem localizado pois está praticamente encostado à muralha.

No dia seguinte fomos conhecer Segóvia, mais uma cidade considerada Património da Humanidade pela UNESCO.

Começamos o nosso roteiro junto ao Aqueduto de Segóvia, um dos monumentos romanos melhor preservados na Península Ibérica. O Aqueduto é uma obra-prima da engenharia romana que se estende e destaca majestosamente na cidade.



De seguida, perdemo-nos pelas ruas da cidade medieval e descobrimos a Catedral de Segóvia, uma majestosa construção gótica, também digna de destaque. Pagámos bilhete para entrar e visitar o seu interior que se revelou igualmente bela e riquíssima.



Por último, visitámos o Alcázar de Segóvia que é outro destaque notável. É um castelo com uma imponente estrutura, construído sobre um penhasco rochoso erguendo-se acima da cidade. 
O Alcácer de Segóvia foi inicialmente usado como fortaleza e palácio real. Mas, após a instalação da Corte em Madrid, perdeu a sua condição de residência real e foi transformado em prisão estatal. Este antigo palácio real, que remonta ao século XII, parece um palácio de conto de fadas. O seu estado de conservação é impressionante e a visita ao seu interior permite a entrada em esplendorosos salões, salas e torres com maravilhosas vistas panorâmicas sobre a cidade. É, muito provavelmente, a atração mais espetacular de Segóvia – e a sua visita é, para mim, imprescindível.



Resumidamente, visitar estas 2 cidades é fazer uma viagem no tempo pela Espanha medieval. São sem dúvida 2 cidades encantadoras, notórias pela sua história e arquitetura medieval, que valem a pena conhecer.  

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Fim de semana em Toledo e Moinhos de Consuegra



Visitar a cidade espanhola de Toledo já era há muito tempo um desejo meu, quer pela sua história quer pela sua beleza arquitetónica. Desta forma, aproveitei a viagem da Wildest para visitar esta região num fim de semana.

Toledo é uma cidade fortificada e uma das mais antigas de Espanha. Na idade medieval era uma terra pacífica que abrigava em harmonia judeus, católicos e muçulmanos. Na altura, foi conquistada pelos reis católicos, que a transformaram numa cidade católica, no entanto, ainda carrega muitos traços arquitetónicos com influência de seu passado multi-religioso. Conhecida como a Cidade das Três Culturas pela mescla de influências islâmica, judaica e cristã, foi merecidamente listada como Património da Humanidade da UNESCO em 1986.

Iniciámos a nossa visita no Mirador del Valle, que fica um pouco afastado do centro da cidade, mas que vale a pena pela vista. Daqui temos uma vista privilegiada sobre a cidade fortificada que está cercada pelo Rio Tejo.

De seguida entrámos na cidade pelas escadas rolantes, o que para mim foi uma estreia, pois nunca tinha visto tal coisa, no entanto, estas permitem um acesso confortável ao centro histórico que fica no cimo de uma colina, sem canseiras e com menos carros.

Embrenhámo-nos pelo centro histórico e pelas suas pequenas ruas. Estas encontravam-se bem enfeitadas devido à festividade que se aproximava - Dia do Corpo de Deus, que pelos vistos, é festa rija para estes lados.

Visitamos a incrível Catedral de Toledo, considerada uma das melhores catedrais da Europa. É uma catedral gótica do século XIII recheada de capelas vistosas e obras de arte de artistas consagrados. A catedral tem uma história interessante e assim como muitas igrejas de Toledo foi construída sobre antigas mesquitas. Tem uma fenda no teto que proporciona uma iluminação especial e tem uma linda sacristia, convertida hoje em museu, com frescos de vários artistas, incluindo obras de El Greco, Caravaggio, Ticiano, Van Dick, Goya, entre outros. Além da história e religião, Toledo é também conhecida por ter abrigado o artista El Greco, que apesar de ter nascido na Grécia é considerado um dos grandes nomes da arte espanhola. Foi em Toledo que El Greco iniciou sua carreira de pintor retratista e conquistou fama.

Saímos da Catedral e fomos para o bairro judeu. Aqui há várias Sinagogas e existem 2 que valem a visita: A Sinagoga Santa Maria de La Blanca e a Sinagoga del Transito. Nós visitámos a Sinagoga Santa Maria de La Blanca que é outro exemplo de transformação de cidade multi-religiosa para cidade católica e um símbolo da comunidade judaica na cidade.

O tempo era curto e apesar de Toledo ter uma infinidade de lugares que valem a pena visitar o resto do tempo foi andar pelas ruas pequenas e labirínticas, pelas praças e aproveitar para sentar numa esplanada e "sentir a cidade".

Toledo é sem dúvida uma cidade repleta de história com muitos tesouros para descobrir e por isso é imperdível.

No fim do dia fomos para o nosso alojamento em Talavera de la Reina e no dia seguinte fomos conhecer os famosos Moinhos de Consuegra que inspiraram Cervantes quando escreveu Dom Quixote. Os moinhos são datados do século XVI, e eram 13 moinhos dos quais ainda se mantêm 12 deles. Um dos Moinhos é aberto a visitas e funciona como um pequeno museu, permitindo que se suba e veja como os moinhos funcionavam.

Situam-se no alto da colina onde também há um castelo templário, o Castillo de la Muela, que se encontra muito bem conservado. A vista do castelo sobre os moinhos e sobre a paisagem em redor é verdadeiramente fantástica.

Foi sem dúvida uma paragem que valeu a pena pela paisagem e pela história a somar aos restantes lugares que visitámos no fim de semana. 

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Roadtrip pela Extremadura Espanhola


Fazer uma roadtrip na vizinha Espanha é sempre uma excelente escolha para um passeio de fim de semana em família. A nossa roadtrip passou por Mérida e Cáceres. A Extremadura tem muito mais para ver, mas dado o curto tempo decidimos visitar apenas estas duas cidades.

Começamos por Mérida. Chegámos na sexta-feira à noite ao nosso alojamento e ainda deu para fazer um passeio à beira rio pela proximidade e a temperatura também estava convidativa para andar na rua.

Passámos o dia seguinte a visitar a cidade que tem uma importância histórica gigante assim como um legado arqueológico imenso e por isso considerada Património da Humanidade pela UNESCO. 

Emerita Augusta, atual Mérida, foi fundada pelo imperador romano Octávio Augusto no século I a.C. tendo sido capital da Lusitânia romana. O Conjunto Arqueológico de Mérida tem uma das mais bem preservadas ruínas romanas do tempo da província hispânica sob o domínio de Roma.

Começamos a visita do dia pelo Anfiteatro Romano, uma arena onde se realizavam os jogos de gladiadores e lutas entre animais, ou mesmo entre homens e animais. Vale bem a pena uma volta pela arena sendo, muito fácil viajar no tempo.

Logo ao lado entrámos no Teatro Romano, uma obra verdadeiramente monumental à qual se soma outra particularidade: é o único edifício que, após o seu restauro, voltou a ter a sua função original, acolhendo desde 1933, o Festival Internacional de Teatro Clásico de Mérida. É imperioso subir até ao topo das suas bancadas, passear pelos estreitos corredores que davam acesso ao palco.

Ao longo das ruínas é possível ver algumas casas onde restam ainda os pátios, corredores e divisões, algumas com os típicos mosaicos romanos no pavimento.

Aproveitámos também para visitar o Museu Nacional de Arte Romana que era gratuito e que vale bem a pena. Aqui encontrámos vestígios da ocupação romana como esculturas, pinturas, mosaicos, moedas e utensílios gerais que exemplificam bem o quotidiano da Mérida romana.

Ao caminharmos pelas ruas e ruelas deparamo-nos com alguns monumentos. É o exemplo do Arco de Trajano e o Templo de Diana que é um dos edifícios mais antigos da cidade e é o único exemplar da arquitetura religiosa romana que tem perdurado em Mérida. É bastante semelhante ao que podemos encontrar em Évora mas a grande diferença é o seu estado de preservação. Supõem-se que foi construído no final do século I a.C. ou no início do século I d.C.

Passámos pela Alcáçova de Mérida que é o único edifício mouro que se conservou até aos nossos dias. Logo ali ao lado vimos a Ponte Romana. A ponte é exclusivamente pedonal e é agradável cruzar o Guadiana caminhando por ela.

Continuámos a caminhada junto ao nosso bem conhecido Rio Guadiana. Pelo caminho, passamos por um simpático e agradável jardim.


Terminámos a visita no Aqueduto dos Milagres que é uma obra extraordinária, não só pelas suas dimensões mas pelo seu estado de conservação.

Mérida não é uma cidade muito grande e por isso um dia foi suficiente para visitá-la com calma assim como as suas principais atracões.

No dia seguinte de manhã, rumámos em direção a Cáceres.

Cáceres é conhecida como a cidade medieval mágica da Extremadura. É por isso que é considerada como Património da Humanidade pela UNESCO.

Assim que chegámos à cidade, estacionámos o carro e andámos a deambular pelas ruelas e praças de Cáceres. Tudo é incrivelmente belo e harmonioso, perfeito para explorar a pé.

Começámos pela Plaza Mayor de Cáceres que fica fora da cidade amuralhada. De seguida entrámos no centro histórico pelo Arco de La Estrella, dando inicio à nossa viagem no tempo. 

Deambulámos pela cidade sem rumo, passando por igrejas, praças e pracetas com os seus palácios monumentais. É fascinante os diferentes estilos arquitetónicos presentes pela cidade desde o período romano à ocupação árabe.

Chegados ao Bairro Judeu entrámos no Museu de Cáceres ao acaso pois a entrada era gratuita e acabámos por ter uma bela surpresa. No sub-solo conhecemos a cisterna hispano-árabe, que foi surpreendente. O museu é pequeno mas bem conseguido.

Terminámos a visita novamente na Plaza Mayor e como queríamos ganhar tempo, já que a estrada de regresso a Portugal era longa, compramos um lanche e comemos no caminho. 
É fácil visitar a cidade num dia. Parte do encanto da visita a Cáceres é precisamente calcorrear as ruas e apreciar as suas fachadas.

Foi uma viagem bastante agradável onde visitámos duas cidades bastante pitorescas e fascinantes. Viajar pelas estradas de Espanha é sempre fantástico pois são quilômetros e quilômetros de excelentes rodovias. A paisagem, porém, é que é um tanto monótona, quase sempre com a mesma paisagem mas vale sempre a pena!

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Caminho Português de Santiago



Comecei a pensar em fazer o Caminho de Santiago há já algum tempo, mas nunca tinha surgido a oportunidade até que este ano fui desafiada por uma amiga para ir com ela. Quando ela me desafiou comecei a pensar se teria capacidade de percorrer centenas de km a pé com tudo o que isso implicava. Até que concluí que claro que conseguiria e por isso aceitei o desafio.
Decidimos então fazer, nas nossas férias de junho, o Caminho Português de Santiago, a começar em Valença do Minho (120km). Para ela seria a 3a vez, o que facilitou a organização do itinerário e dos alojamentos.

A minha preocupação seguinte foi decidir o que levar na mochila. A regra básica é só levar o indispensável, ou seja, reduzir e simplificar. Outra regra é que só se deve carregar até 10% do peso do corpo.
Uma das coisas mais prementes que se deve incluir na mochila é o kit de primeiros socorros. Este deve ser leve mas deve conseguir dar uma resposta imediata a uma pequena emergência como feridas, lesões nos pés, queimaduras, picada de insetos, etc.
Assim, consegui levar tudo numa mochila de 20L com cerca de 6kg. O peso ideal para carregar às costas.
Outro item bastante importante é o Cartão Europeu de Saúde que permite o acesso a cuidados de saúde e assistência médica na grande maioria dos países europeus.

Partimos dia 10 de junho na nossa aventura...

1ª etapa - Valença do Minho a Porriño (24km)
Chegamos a Valença do Minho de expresso por volta das 5h da manhã. O plano inicial era chegar de comboio, mas a greve da CP fez-nos alterar os planos e por conseguinte acabamos por ter que fazer uma direta!!!
Bom, chegadas a Valença, a etapa começa com a travessia da Ponte Internacional sobre o Rio Minho. O Caminho está muito bem marcado ao longo de todo o percurso, basta seguir as setas amarelas para chegar a Santiago de Compostela.
Depois da ponte, já estamos em Espanha e pouco tempo depois chegamos ao centro histórico da cidade de Tui.
Depois de sair de Tui, o Caminho conduz-nos até Porriño por um misto de bosques e áreas pedonais.
A melhor parte da etapa foi quando chegamos a um café em Ponte de Febras. Foi um verdadeiro oásis! Aqui restabelecemo-nos e recuperamos energias, pois já estávamos a precisar!!
A pior parte do troço é a chegada a Porriño porque o caminho é feito pela estrada, e como chegamos tarde (por volta das 16h) estava muito calor!!! Esfomeadas e cansadas, mal entrámos na cidade, procurámos logo um restaurante para comer, hidratar e descansar as pernas!
De seguida fomos arrastar-nos até o albergue. Chegamos ao albergue rotas! Instalamo-nos e preparamo-nos para o dia seguinte. Ainda deu para conviver com um grupo de peregrinos, com quem mantivemos o contacto até o final do Caminho.

2ª etapa - O Porriño a Redondela (18km)
Nós aprendemos logo no final do primeiro dia que íamos apanhar dias de muito calor e por isso tínhamos de acordar bem cedo. Quanto mais madrugássemos, menos calor íamos sentir ao longo da etapa. Para além disso é importante terminar a etapa cedo, para poderemos encontrar o alojamento, almoçar e descansar durante a tarde.
Decidimos então acordar pelas 5h30 e saíamos do albergue pelas 6h00. Dependendo dos dias, entre as 13h00 e as 14h00 estávamos a terminar a etapa.

Esta 2ª etapa foi uma das mais fáceis do Caminho, passámos por muitas estradas secundárias e atravessamos várias aldeias. Saímos de Porriño e passamos por Mós, uma aldeia bonita. Aqui paramos para comer qualquer coisa. O resto do caminho teve algumas subidas mas que se fizeram bem.
Chegámos cedo a Redondela. Ainda tivemos que fazer tempo para entrar no albergue, pois o check-in era só a partir das 14h.
Apesar do calor intenso, pois estava um dia atípico de calor, à tarde aproveitamos para fazer um almoço tardio, dar um passeio pela cidade, ir ao supermercado e descansar o resto do dia.

3ª etapa - Redondela a Pontevedra (21km)
Esta etapa é uma das mais bonitas, pois a maior parte do percurso é feito por terra batida e pelo meio de bosques e serrados. 
Logo no inicio, passamos pela ria de Vigo onde as vistas são soberbas. De seguida, fizemos uma paragem junto à ponte medieval de Pontesampaio para tirar fotos, descansar um pouco e para admirar o dia que estava lindo. O resto do caminho foi igualmente bonito mas exigente fisicamente.
Chegámos a Pontevedra pelas 14h00. Fomos diretas para o hotel que fica mesmo à entrada da cidade. Depois de nos instalarmos, fomos de táxi para o centro da cidade. Aqui almoçamos num restaurante muito agradável. Era domingo e estava calor, por isso os galegos estavam todos na rua a conviver.
De seguida, ainda nos sentimos com energia para explorar o centro da cidade, pois Pontevedra é considerada a capital e a mais bonita do Caminho Português de Santiago. E é realmente muito bonita!

4ª etapa - Pontevedra a Caldas de Reis (26km)
Esta é uma das etapas mais longas do nosso trajeto. Como estávamos alojadas um pouco longe do centro demorámos algum tempo atravessar a cidade e acabamos por nos atrasar um pouco. 
Ao longo do dia atravessámos muitas vinhas e bosques. No final da etapa, o Caminho entra pela estrada, onde as sombras são nulas. Um deserto de asfalto. 
A certa altura o cansaço atacou-nos de rompante, em sintonia com o sol implacável, e arrastámo-nos até ao final desta etapa. Tivemos que fazer mais paragens do que o habitual.
Mesmo na parte final passamos por um caminho entre vinhas, mas o calor era tanto que não nos deixou desfrutar do caminho.
A etapa termina na bela cidade termal de Caldas de Reis. Chegámos exaustas à cidade por volta das 16h com 33ºC!!
Depois de recuperadas fomos visitar a Catedral, demos um pequeno passeio à beira rio e aproveitamos para mergulhar os pés nas quentes águas termais da fonte pública de Las Burgas. Lá tivemos um excelente momento de convívio com mais peregrinos que foi bastante reconfortante.

5ª etapa - Caldas de Reis a Padrón (23km)
Apesar do dia anterior ter sido muito duro e o cansaço acumulado já ser algum, iniciámos esta etapa animadas e motivadas para mais um dia de caminhada.
Esta é mais uma etapa maravilhosa do Caminho de Santiago, pois segue pela floresta, com bastante sombra e entre riachos.
O final da etapa é em Padrón, cidade conhecida pelos pimentos Padrón. Chegámos a Padrón pelas 12h00. Assim que chegamos à cidade fomos encontrando caras conhecidas e acabámos todos juntos a comer no tasco do "Pepe". Uma verdadeira animação.
Depois de nos instalarmos no albergue (para mim o melhor do caminho) fomos descansar pois o cansaço do corpo já se começa a notar.
À tarde fomos visitar a Igreja de Santiago de Padrón. Segundo a lenda, foi em Padrón que aportou a barca que transportou os restos mortais do Apóstolo Santiago desde Jaffa, no Médio Oriente (onde foi decapitado), até à Península Ibérica no ano de 44. A pedra – ou padrão – a que foi presa a barca está presentemente colocada por baixo do Altar da Igreja, ponto de paragem obrigatório para todos os peregrinos que seguem pelo Caminho Português de Santiago.
De seguida, percorremos a cidade por um supermercado e terminamos o dia a comer num restaurante numa praceta encantadora.

6ª etapa - Padrón a Santiago de Compostela (28km)
Última etapa do Caminho de Santiago e é a etapa menos bonita. Passámos por alguns bosques mas à medida que nos aproximamos do final o caminho faz-se mais por estradas.
Ao aproximarmo-nos de Santiago de Compostela vamos ficando cada vez mais ansiosos e somos inundados por um sentimento de superação.
Chegámos a Santiago às 14h30. Fim do Caminho! A sensação de vitória é imensa! Os peregrinos estão estendidos no chão, na Praza do Obradoiro extasiados e a comemorar. O ambiente é de festa!

Apesar de termos partido sozinhas nesta aventura, todos os dias fomos conhecendo pessoas pelo caminho. A certa altura, já quase que nos conhecíamos todos uns aos outros.
Fizemos esta última etapa sempre acompanhadas por 3 raparigas que conhecemos pelo caminho e com quem fizemos amizade. A certa altura da etapa juntaram-se mais pessoas a nós e quando terminamos o caminho eramos um grupo grande.
Já em Santiago na praça fomos encontrando muitas caras conhecidas do Caminho e que nos cumprimentavam com um abraço de missão cumprida. Afinal de contas, é isto o Caminho!

Recompostas com a chegada, fomos para o Centro do Peregrino para obter a Compostela que é um certificado que garante que cumprimos a peregrinação, de pelo menos 100km. Para obtê-la é necessário apresentar a Credencial do Peregrino que fomos carimbando ao longo do caminho nos albergues e estabelecimentos que cruzamos. Esta tem que ser carimbada no mínimo duas vezes por dia ao longo do caminho.
Depois de termos a Compostela, fomos todos juntos comemorar, a comer e a beber. Um momento de convívio maravilhoso.
De seguida, cada um foi para o seu alojamento. Aqui optamos por ficar num hotel pelo conforto e comodidade. Depois de instaladas regressamos à Catedral para para assistirmos à missa do peregrino. 
O dia terminou num restaurante a convivermos com o nosso grupo da chegada. Um final maravilhoso!

"O motivo que nos leva a percorrer o Caminho de Santiago é pessoal. Não existe um motivo certo ou errado, adequado ou não, existe o nosso motivo, aquele que é o verdadeiro para nós!"
                                                                                             Espaço Jacobeus


Dicas para o Caminho:
  • As infraestruturas de apoio ao peregrino, contando com albergues, cafés e restaurantes vão aparecendo ao longo do caminho. Há também uma vasta oferta de supermercados ou mercearias onde o peregrino se pode abastecer.
  • Em termos de alojamento existem várias opções. Nós optamos por ficar 3 noites em Albergues privados e 3 noites em Hotel. Os albergues quer públicos quer privados oferecem condições básicas para o apoio à caminhada: cama e dormitórios, cobertor, balneários, lavandaria em alguns casos e cozinha onde se podem preparar refeições. Optámos por dormir nalguns hotéis pela privacidade e por um pouco mais de conforto. No entanto, todos os albergues onde ficámos eram excelentes.

Estes foram os meus alojamentos ao longo do caminho:


Sem dúvida que foi uma experiência fantástica! No inicio quando comecei a pensar em fazer o Caminho achava que talvez não estaria fisicamente capaz para o fazer. No entanto, aprendi que apesar do treino físico ser importante se a mente não estiver preparada para as exigências do Caminho, pouco ou nada vai servir. Dizem que para percorrer o Caminho com sucesso 25% é trabalho físico e 75% é trabalho psicológico. Não sei se serão bem estas as percentagens, mas da minha experiência posso garantir que o psicológico supera o físico quando se percorre o Caminho de Santiago.
No final do Caminho, fiquei surpreendida com a minha resiliência e descobri que tinha mais força do que sabia. E no final o sentimento que fica é uma sensação arrebatadora de liberdade. 

terça-feira, 7 de junho de 2022

Ilhas Ciès - as Ilhas Selvagens




Mais umas férias e mais um programa inesquecível! Já algum tempo ouvi falar nas Ilhas Cíes e ao ver as fotos das ilhas fiquei com uma vontade desesperada para as visitar. Assim que vi que a Wildest estava a organizar uma visita às ilhas nem pensei 2 vezes e inscrevi-me. Ir num tour de ida e volta com tudo organizado foi o ideal pois para além das ilhas terem um número limite de visitas diárias também é necessário uma autorização para entrar. Assim, não tive que me preocupar com nada, pois trataram de tudo.

Considerada o “Caribe da Galiza” as ilhas ficam a apenas 150 km de distância do Porto, chegando-se a Vigo em menos de duas horas. Então, pela proximidade com o Porto decidi passar o fim de semana na cidade, pois conheço pouco o Porto e já há algum tempo que tinha vontade de fazer uma escapadinha por aqui

A saída para as Ilhas foi por volta das 6h do Porto. Partimos de autocarro para Vigo onde apanhámos o ferry que demora cerca de 45 minutos até as Ilhas Cíes. Fomos com o Mar de Ons que correu tudo lindamente uma vez que navegamos em ria (sem ondas) e não em mar aberto.

Desembarcámos na ilha de O Faro, uma das três que compõem as Cies. Desembarcámos mais precisamente na joia da coroa das Ilhas Cíes - a paradisíaca Praia de Rodas: uma extensa baía de areia branca, no meio de um mar turquesa cristalino e que une a ilha de Faro à de Monteagudo. É a praia mais longa e a mais bonita do arquipélago.

Nas Cies, não há hotéis nem carros nem casas. É uma tranquilidade sublime. As duas principiais atividades para se fazer são estar na praia e fazer caminhadas. É difícil resistir à sedução dos banhos de sol estendido na areia, mas explorar cada canto das ilhas é igualmente tentador.

Optei por acompanhar o grupo na caminhada. Existem 4 percursos possíveis para fazer e todos estão devidamente marcados. O mais longo e exigente é a Rota do Monte Faro que fizemos. O trilho tem vistas espetaculares das Ilhas Cíes e tem também uma subida ziguezagueante exigente até ao Farol de Cíes, que com calor pode tornar-se um pouco difícil.

Outro trilho que fizemos foi o Alto do Príncipe. Uma caminhada relativamente fácil, com cerca de 3 km ida/volta. A panorâmica do Mirante do Príncipe é, provavelmente, a vista mais bonita do arquipélago. No topo encontra-se uma rocha esculpida naturalmente em forma de cadeira, chamada o trono da rainha. Imperdível!

Qualquer um dos trilhos são magníficos com vistas soberbas das Ilhas e das suas praias incríveis.

No final, a recompensa maior é aproveitar a praia paradisíaca, pois a comparação destas ilhas com o caribe é credível no que toca à cor turquesa das águas cristalinas e às areias finas de cor branca. Quanto à temperatura da água, esta é fria, mas não é tão fria como dizem! A temperatura assemelha-se às temperaturas do nosso mar mais a norte. 

Para quem quiser pernoitar na ilha, existe um parque de campismo muito apetecível, com vista para a praia. Uma verdadeira tentação!! E também existem alguns restaurantes. Um no local de desembarque do barco, outro dentro do parque de campismo e outro nas redondezas do parque de campismo. Por isso, existem todas as condições para passar uns dias fantásticos nestas ilhas paradisíacas! 

Vale mesmo a pena visitar as Ilhas Cíes pois significa desfrutar do paraíso. E não é exagero!

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Las Médulas



Visitar Las Médulas em Espanha, andava já há algum tempo nos meus planos. Sabem quando veem a fotografia de um local e ele não vos sai da cabeça, e começam logo a magicar a melhor forma de lá ir? Foi o que me aconteceu.

Assim que vi que a Borealis estava a organizar uma viagem até lá, inscrevi-me no evento. 

Foi 1 dia inteiro de viagem, com saída do Porto às 6h da manhã e regresso no mesmo dia por volta das 23h. Foi realmente um dia em cheio!

Chegámos ao nosso destino por volta das 12h (hora local) e iniciámos a nossa caminhada na povoação Las Médulas. 

Trata-se de um trilho circular com cerca de 12 km de extensão. É possível visitar este espaço gratuitamente.

Estes pináculos alaranjados que sobressaem na paisagem são obra da mão humana, pois resultaram da exploração de ouro pelos romanos, através da técnica ancestral “Ruina Montium“, dando assim origem a uma paisagem única, de tal forma, que a UNESCO a considera Património da Humanidade.

Basicamente, a técnica consistia na destruição das montanhas com água, através de canais construídos para o efeito e, após a explosão, os destroços eram lavados onde era finalmente peneirado o ouro. 

Resultando assim, esta paisagem única onde ao longo do percurso, somos surpreendidos com vários pináculos alaranjados rodeados pelas árvores.

O trilho tem uma dificuldade média, com algumas subidas exigentes, num terreno um pouco resvaladiço e coberto por pedras soltas. Mas vale bem a pena o esforço.

A meio do percurso chegámos ao Mirador de Orellán, local onde se conseguem tirar as fotos mais belas de Las Médulas e onde conseguimos perceber a sua grandiosidade.

Logo de seguida, iniciámos uma descida por um bosque de carvalhos milenares, que mais parece um bosque encantado.

Quase a chegar ao fim, chegámos à Senda da las Valiñas, que é igualmente uma das partes mais belas do trilho. Aqui visitámos 2 grutas - La Cuevona e La Encantada - onde se fazia a exploração do ouro no seu interior.

E regressámos finalmente à povoação Las Médulas, um pouco exaustos mas felizes e encantados com tudo o que vimos. É sem dúvida um local especial, pois trata-se de um espetáculo natural entre a obra do Homem e da Natureza.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Ronda e o Caminito del Rey


Juro que não fiz de propósito, mas parece que todos os meus últimos caminhos foram dar à Andalucia.

Andava há muito tempo a planear fazer o Caminito del Rey, em Espanha e desta vez surgiu a oportunidade de me juntar a um grupo de caminhada - Wildest e de fazê-lo.

E assim, passado cerca de 1 mês, eu e a minha irmã voltamos a Andalucia e a Ronda , desta vez, propositadamente para fazer o Caminito del Rey.

Começamos o fim-de-semana em Sevilha, a capital da região. Um dia é manifestamente pouco tempo para conhecer a cidade e como já a conhecíamos desta vez focamo-nos em conhecer a sua catedral. Esta é a maior de Espanha e a 3ª maior do mundo.
Subimos a Torre da Giralda que outrora foi um minarete e cujas vistas sobre a cidade compensam o esforço.
De seguida, visitámos a Catedral que é absolutamente magnânima, com destaque para o seu altar-mor e cheia de recantos e de história, pois esta foi a última morada do famoso navegador Cristóvão Colombo.

Depois de almoço seguimos para a cidade de Ronda, que também já conhecíamos da nossa última visita à região. Andámos a pé pela cidade e desta vez fomos ver a Ponte Nova, mas desta vez, observá-la de cima.

No dia seguinte seguimos cedo para o Caminito del Rey, em Ardales. Este caminho é um trilho construído pelos antigos trabalhadores das barragens no desfiladeiro de Gaitanes, em El Chorro. Foi construído no inicio do séc. XX e servia de acesso aos trabalhadores durante a construção da barragem. Depois de criado o caminho, um dos engenheiros resolveu levar os amigos a visitá-lo e com o crescimento das visitas o desfiladeiro começou a tornar-se cada vez mais popular. O rei atravessou-o para inaugurar as barragens e passou a ser conhecido como o Caminito del Rey.

Nos anos 90, o caminho foi alvo de várias visitas de exploradores mais aventureiros. No entanto, nessa altura ocorreram vários incidentes mortais, pois o caminho encontrava-se em mau estado. Foi considerado o percurso pedestre mais perigoso do mundo e foi encerrado durante 15 anos.

Em 2015 foi reaberto ao público, totalmente remodelado e com condições de segurança. Hoje é conhecido como um dos locais mais incríveis para se conhecer.

O trilho é um percurso linear de apenas 1 sentido, com 8km no total em que 3km são feitos em passadiços de madeira e 5km em trilho de terra pelo bosque, com dificuldade reduzida.

O percurso percorre o canhão do fluvial do rio Gaitanes que proporciona paisagens magnificas e de tirar a respiração. A dimensão do desfiladeiro é avassalador! Tudo no percurso é intenso e cativante, mas a parte final do trilho foi sem dúvida a mais surpreendente e mais desafiante. Demoramos cerca de 3h a percorrer o trilho, sempre a fotografar as paisagens incríveis das rochas e do desfiladeiro.

Valeu muito a pena a viagem só por causa deste trilho. Andalucia é sem duvida uma região com muito para oferecer.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

De carro por Andaluzia



Pela proximidade a Portugal e por ser uma região com sol, calor (que escasseou este verão) e cheia de interesse cultural, decidi explorar Andaluzia de carro em 4 dias. Foi um pouco cansativo pela dimensão da região, pois passámos horas e horas ao volante a conduzir, com estradas infindáveis, mas valeu a pena.

O primeiro dia foi praticamente passado quase todo em viagem de Portugal para Espanha. Atravessámos a fronteira e fizemos uma breve paragem em Olivença. Fomos à procura de Portugal em Espanha. A passagem foi muito breve mas deu para reconhecer alguns sinais da antiga vila portuguesa. 

Depois de longos e longos quilómetros chegámos a Córdoba de noite, perto das 24h. Rapidamente encontramos o hotel onde iriamos pernoitar - Patios del Orfebre, que está muito bem localizado. Fomos logo dormir e deixamos as visitas para o dia seguinte.

O dia seguinte foi para visitar Córdoba e o seu centro histórico que foi declarado Património Mundial pela UNESCO. Córdoba foi um dos últimos redutos do islamismo na Europa e na Península Ibérica. Como prova disso é a Grande Mesquita-Catedral que foi a nossa primeira visita do dia. Este monumento lindíssimo representa bem a fusão entre a cultura islâmica e cristã.

Lá dentro, a primeira coisa que me impressionou foi a dimensão do edifício, pois esta foi em tempos, uma das maiores mesquitas do mundo. Os seus belos arcos vermelhos e brancos dispersos por todo o espaço, são de uma beleza ímpar! A sumptuosidade do templo católico, inserido no meio dos motivos islâmicos, torna este espaço igualmente único. Tudo é grandioso, belo e surpreendente! É sem dúvida um lugar a não perder. Aqui passámos 1h a visitá-la, a fotografá-la e a contemplar todo o espaço.

Outra coisa imperdível na cidade é perdermo-nos a pé entre as ruas e ruelas. Todas as ruas são estreitas e bem cuidadas, formando um alegre labirinto. Imperdível! 
Andamos perdidas pelas ruas do centro histórico, passamos a ponte romana e andamos pelo bairro judeu.

Ao final da tarde, pegámos no carro e seguimos viagem para Granada. Em apenas 1 dia não tivemos tempo de conhecer todos os recantos cordobeses mas, deu para visitar alguns dos pontos mais emblemáticos da cidade.

Chegámos a Granada ao fim da tarde, mas ainda de dia. Aqui encontramos facilmente o hotel e deixamos o carro num parque de estacionamento a pagar mas que estava incluído no preço do alojamento.

Granada é uma cidade monumental, com muito para visitar. Optámos por ficar 2 noites e ficámos alojadas num hotel também muito bem localizado - Hotel Boutique Las Almenas.

No primeiro dia decidimos visitar o Alhambra, cujos bilhetes compramos com antecedência no site oficial: tickets.alhambra-patronato.es, pois é um dos monumentos mais visitados em Espanha e tem limite de número de visitas por dia.

Granada foi a última cidade da Península Ibérica a ser reconquistada pelos reis católicos. A herança moura é, pois, omnipresente, tendo o seu expoente máximo no Alhambra, mandado construir como fortaleza e palácio real pelos reis da dinastia Nazarí.

Visitar os Palácios Nasridas (ou Nazaríes, no original em espanhol) é uma experiência incrível. Tudo é um encanto. Desde os pormenores decorativos de inspiração mourisca e as janelas com arabescos; o Pátio dos Leões; o arrojado Palácio de Carlos V; e todas as salas monumentais assim como os pequenos recantos. Faltam palavras para descrever tamanha riqueza arquitetónica e decorativa.

Só tive pena de não ter conseguido ir visitar a villa de Generalife e os seus extensos jardins mas já não tínhamos forças. A extensão do Alhambra é enorme e caminhar sob aquele sol escaldante é muito exigente pelo que nos faltaram forças para visitar essa parte do complexo.

Seja como for, e apesar do calor insuportável, o Alhambra é mesmo de visita obrigatória.

Em Granada, fomos visitar ainda a sua Catedral cujo esplendor rivaliza com a grandeza muçulmana. Esta foi mandada construir de forma a mostrar ao mundo que a conquista da cidade de Granada aos mouros tinha sido total. 

Fica localizada no coração histórico da cidade e é outra das visitas tidas como obrigatórias, assim como a Capela Real.

Aproveitamos para visitar a Catedral ainda no período da manhã, um pouco antes da celebração da missa, pois era Domingo e estava aberta ao publico.

A Capela Real visitámos durante a tarde, após a visita ao Alhambra. Esta fica ao lado da Catedral, mas é uma visita separada. Foi construída durante o século XV para servir como local de sepultura dos monarcas espanhóis.

Fizemos a visita com guias de áudio e lá dentro, visitamos o museu, os túmulos dos reis católicos e a cripta onde estão os restos mortais do rei Fernando de Aragão e da rainha Isabella de Castela, juntamente com os corpos da rainha Joana I, Filipe I e Príncipe Miguel de La Paz.

No final da visita andámos a vaguear um pouco pelas ruas do centro histórico e encontrámos o mercado de Alcaiceria, que nos leva a entrar num outro mundo. Num ápice somos transportados para ruelas estreitas de um souk num mundo árabe, cheio de lojas de artesanato e souvenirs.

Ao fim da tarde apanhamos um minibus para Albaicín e assistimos ao pôr-do-sol sobre o Alhambra do Miradouro San Nicolás. Daqui a vista sobre o Alhambra e da Serra Nevada é incrível. Um verdadeiro cartão-postal.
De seguida, perdemo-nos pelas ruas do bairro e fomos descendo a pé até o centro de Granada.

Dia seguinte, tomámos o pequeno-almoço e saímos de Granada em direção a Málaga.
Desta vez o objetivo é fazer um pouco de praia, aproveitar o sol e o calor e descansar. Decidimos ficar alojadas nos arredores de Málaga, numa pequena vila chamada Colmenar, onde o alojamento era mais barato. 

Da parte da tarde, fizemos praia em Torremolinos com direito a mergulho no mar mediterrâneo. E que bem que soube!!

Último dia e decidimos ir à descoberta dos "Pueblos Blancos" da Andaluzia, que são pequenos povoados fortificados que resultaram da necessidade dos povos se defenderem em colinas na Andaluzia. Existe toda uma rota mas nós só conseguimos visitar Setenil de Las Bodegas, que é uma vila construída entre cavernas e rocha.

Na vinda para Portugal fizemos uma passagem rápida por Ronda que atrai muitos turistas, pois é uma cidade construída em cima de um promontório rochoso. Paragem de 1h para tirar fotografia rápida da ponte mas que nos deu vontade de voltar para visitar. 

O resto do dia foi passado ao volante, no regresso a Portugal - Leiria.

Viajar pela Andaluzia vale muito a pena, pois é realmente espantoso o legado que os mouros deixaram na região. 
Viajar pela Andaluzia em Agosto é uma loucura, pois o calor é extremo.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Picos de Europa



A vontade de voltar a viajar é enorme!! 2021 já vai a meio e a pandemia mantém-se, mas vai mais branda, pois cada vez existem mais pessoas vacinadas. As restrições continuam a ser impostas, mas já é possível sonhar com viagens, no entanto, temos que ser flexíveis e optar por viagens mais seguras e possíveis.

Viajar no continente europeu é uma das opções mais viáveis nesta altura e surge assim, com todas estas condicionantes a oportunidade de realizar uma escapadinha para fora de Portugal. A primeira depois de tanto tempo.

A escapadinha é a visitar os Picos de Europa, na nossa vizinha Espanha, durante 3 dias.

Os Picos da Europa fazem parte de um parque natural no norte de Espanha, que se estende pelo Principado das Astúrias e pelas Comunidades Autónomas de Cantábria e Castela e Leão. É considerada uma das regiões montanhosas mais bonitas não só de Espanha, mas de toda a Europa.

Fui com um grupo de viagens chamado Borealis - uma agência de viagens experiente em trekking. Fomos de autocarro com as devidas condições de segurança. A parte chata é que é uma viagem longa, pois são cerca de 500km, onde temos que estar sempre de máscara.


Dia 1: Porto - León - Benia de Onis

Partida do Porto às 7h com breve paragem em Braga, para apanharmos mais caminhantes.

Chegada a León por volta das 14h (hora espanhola). Fizemos uma visita à cidade em grupo e depois ficamos com tempo livre por nossa conta.

Léon é a maior cidade da província espanhola de León.

Andamos um pouco pela cidade e visitamos os seus pontos de interesse principais:
  • Catedral de Santa Maria de León, que só visitamos o exterior
  • Casa de Botines, da autoria de Gaudí
  • Basílica românica de San Izidoro
Fizemos uma paragem para almoçar num jardim à sombra, pois o calor era muito (29ºC) e de seguida desfrutamos uma das muitas esplanadas que abundam pela cidade.

O ponto de encontro do grupo foi às 16h, com partida para os Picos de Europa.

Chegada a Benia de Onis. O nosso alojamento foi no Maria Manuela Hotel & Spa, um alojamento bem agradável nesta pequena localidade, bastante encantadora, no meio das montanhas.


Dia 2: Posada Valdeón - Ruta del Cares - Poncebos

O dia acordou solarengo. Saímos de manhã cedo de autocarro em direção a uma pequena aldeia, chamada Posada de Valdeón, onde iniciámos a nossa caminhada de 26km.

Percorremos um trilho bastante verdejante, sempre com a montanha a servir de pano de fundo. Fizemos algumas pausas pelo caminho, apreciar a paisagem deslumbrante.

Chegamos a Caín, um pequeno e acolhedor povoado, rodeado por montanhas imensas, onde fizemos uma paragem para almoçar.

Depois do almoço, entramos na Ruta del Cares, dando início àquela que viria a ser uma das melhores caminhadas que fizemos. A Ruta é um dos percursos pedestres mais populares do Parque Nacional.

A maior parte da rota é plana e faz-se ao longo de um caminho estreito de terra batida que serpenteia ao lado de uma garganta profunda, no fundo da qual corre o rio Cares, de onde deriva o nome da rota. Passamos também por algumas pontes, miradouros naturais e túneis escavados na pedra.

As vistas vertiginosas sobre os desfiladeiros são absolutamente fabulosas.

Perto do final, surge a parte mais difícil do percurso. São 2 km de subida, já a chegar a Poncebos e o cansaço começa a apoderar-se dos nossos corpos.

Finalmente chegamos a Poncebos e terminamos a caminhada. Cansados mas com a sensação de vitória.

Pequena pausa num café para repor energias e trocar impressões. Caminhada longa mas vitoriosa.


Dia 3: Lagos de Covadonga - Santuário de Covadonga

Hoje o dia começou cinzento. Mal se via a estrada de tão denso o nevoeiro.

Fomos de autocarro para os famosos Lagos de Covadonga: o Lago Enol, Lago Ercina, e Lago Bricial, todos de origem glaciar. O autocarro deixou-nos no estacionamento das Minas de Buferrera, minas do século XIX onde se extraía mercúrio e magnésio e que foram desativadas. Daqui iniciamos o trilho.

O nevoeiro impedia-nos de ver para além de poucos metros e iniciamos assim o trilho a ver-se muito mal. Chegámos ao lago Ercina e passado pouco tempo, o céu ficou azul e o sol brilhou colorindo os verdes prados em torno do belo lago. Que paisagem deslumbrante. Aqui e acolá aparecem as vacas a pastar indiferentes aos nossos olhares.

Continuamos a caminhada. A paisagem sempre a surpreender, digna de uma verdadeira foto de postal, com picos rochosos, alguns deles ainda com neve, a servirem de pano de fundo a magníficos lagos rodeados por prados e vacas felizes.

Almoçamos a meio do trilho com estas paisagens a servir de pano de fundo. Encantador!

Terminamos o trilho no Lago Enol, mais um local de suster a respiração. Seguimos de autocarro para o Santuário de Covadonga. É um local de culto e peregrinação de crentes. Junto da basílica existe uma gruta – a Santa Cova – onde se encontram a Virgem de Covadonga (a que os asturianos chamam “La Santina”) e o sepulcro de D. Pelayo, figura histórica que iniciou a reconquista cristã da Península Ibérica aos mouros.

Aqui ficamos algum tempo a visitar e a relaxar. E daqui embarcamos de novo em direção a Portugal.


Terminei esta escapadinha com as pernas a doer mas com a alma cheia. Valeu a pena quer pelo desafio das caminhadas, quer pela beleza vista, quer pela tranquilidade e ar puro que se respira.

Foi sem duvida uma bela maneira de recomeçar as viagens, tão ansiadas.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ibiza 2009/2010


O fim de ano foi em Ibiza, e foi uma passagem de ano memorável. Tenho a certeza que vai ficar nas nossas memórias para o resto da nossa vida!
Lá fomos nós, 4 gajas, sequisas de aventura, diversão e de muita loucura. Pois então, Ibiza era o lugar para tal, conhecida pela sua vida loca.
Depois de 3 viagens aéreas, algo cansativas, assim que aterrámos na ilha, iniciou-se a nossa aventura. Já caía a tarde em Ibiza, por isso, o 1º lugar a visitar é Sant Antoni de Portmany para ver o famoso pôr-do-sol no Café del Mar, de forma a cumprirmos uma tradição de muitos anos (não sei porquê!). O café estava fechada, por muita pena nossa mas mesmo assim assistimos ao sol a pôr-se, que independentemente do lugar é um cenário magnífico. Passeámos mais um pouco por Sant Antoni, mas assim que caiu a noite, regressamos a Eivissa e preparamo-nos para conhecer a famosa noite de Ibiza. Digamos que a ilha encontrava-se a meio gás, no entanto, encontramos sempre um lugar para fazermos fiesta.
No dia seguinte, aproveitámos para visitar o centro histórico de Ibiza - Dalt Vila (declarado pela UNESCO Património Mundial da Humanidade). Trata-se de uma cidadela medieval muralhada que fica no alto da colina e que salta bem à vista. Percorremos a cidadela ruela a ruela, visitámos a Catedral e debruçamo-nos nos miradouros que possuem uma vista fantástica para o porto, a marina e para o Mediterrâneo. Visitámos também a parte baixa da cidade, que possui ruas estreitas com inúmeras lojas artesanais muito originais. Aproveitámos para fazer umas comprinhas.
Após as compras, fizémos uma pequena paragem na Playa D'en Bossa, que fica perto da cidade e que possui o maior areal da ilha. De lá, regressámos para o nosso hotel, que fica na Playa des Figuerettas, sempre à beira mar. Que esticão, meninas!! E à noite, prontas para a verdadeira festa, jantámos num ristorante italiano, que abundam na ilha e às 23h fomos para a Praça da Vila, pois era aí que o povo se concentrava. A partir daí foi animação e alegria toda a noite. Passamos a meia-noite rodeada de gente de todos os lados, EUA (bronx man), Argentina, Nova Zelândia, República Dominicana, França ou Marrocos (não sei muito bem). Digamos que foi uma passagem de ano muiltcultural! Inesquecível!
Dali fomos para a famosa discoteca Pacha até de manhã. Lá concentrava-se tudo o que era gente da ilha.
De manhã o merecido descanso e à noite, depois de recuperadas veio o After Party no Dellano, na Playa D'en Bossa. Mais uma noite memorável. Para mim, a melhor noite vivida em Ibiza. Mais uma vez, conhecemos várias pesssoas de todas as nacionalidades. Dançámos, convivemos, bebemos, festejamos. Tudo o que se espera em Ibiza.
De manhã, foi o regresso a Portugal e à dura realidade! Mas, sem dúvida alguma, que foi uma das melhores passagens de ano que vivi até agora. Valeu meninas, por tudo, mas principalmente pela companhia. Feliz Ano 2010!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Viagem a Madrid


A viagem correu bem, apesar de inicialmente terem havido algumas intercorrências, como nomeadamente o cancelamento do voo, no sábado previsto, que foi remarcado para o Domingo. Uffa...quase que não iamos. Mas aterrámos em Barajas no Domingo e apartir dali foi sempre andar!!
Gostei de conhecer a capital espanhola, até porque agora tenho uma opinião acerca dela e acima de tudo, serviu para valorizar mais a nossa capital.
Em Madrid, o que gostei mais foram sem dúvida os museus, prinicpalmente o Museu do Prado.

Gostei de ver o Palácio Real, apesar de não ter entrado. É curiosa a forma como este está completamente integrado no bairro que o rodeia.


Gostei de andar pelas suas inúmeras "calles" e "plazas".

Foi sem dúvida, uma viagem que valeu a pena. Mas de tudo, o melhor foram os momentos de convívio com o pessoal que conhecemos na pousada e a nossa noite do Pub Crawl. São esses os grandes momentos que ficam na memória e que torna tudo mais inesquecível.
Hasta Luego Madrid!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Ao volante pelo País Basco


Nestas férias, ao longo de 5 dias eu, a minha irmã e a Mafalda, agarrámos na trouxa e no carro e partimos à aventura pelo Páis Basco. Sim, a viagem foi longa e cansativa, com várias paragens, mas sem sombra de dúvida que valeu a pena. Foram 5 dias cansativos e fatigantes mas cheios de surpresas agradáveis e inesquecíveis.

Dia 1 - Chegámos a Pamplona e atracámos no nosso belo alojamento. Nada mau. Um aparatemtno só para nós com acomodações excelentes e mais importante...barato.

Dia 2 - Visitámos a cidade, que revelou-se ser bastante agradável e interessante, mas confesso que nas festas de San Firmin é que valerá a pena!! Percorremos as ruas e imaginamos a emoção e adrenalina que deverá ser com os touros à solta!!
Visitámos ainda uma aldeia fantástica não muito longe de Pamplona e que valeu pelo seu castelo medieval e que se chama Olite. No caminho de volta, tropeçámos sem querer em Tafalla, que se encontrava em festa, e que coincidentemente com Pamplona, tratava-se, segundo os populares, de um "mini San Firmin". Então, a paragem tornou-se obrigatória e infiltramo-nos na festa, como era de esperar!
Dia 3 - Visita a Bilbao e ao Museu Guggenheim. A visita a este museu, revelou-se ser uma surpresa, pois trata-se de um museu diferente de todos que já visitei. Acho que a palavra certa para este museu é...Enigmático! E claro, a sua beleza exterior é indescrítivel.
Da parte da tarde, viajámos pela costa do País Basco e tenho a dizer que foi ...fabuloso.
Dia 4 - Atrevemo-nos e fomos até à França. Visitámos as praias locais, como Biarritz e St Jean de Luz. Muito sol e calor, mas como tinhamos um longo caminho pela frente, não deu para mergulhar naquelas belas águas do cantábrico, com muita pena minha. Mas valeu pelas vistas.
Já em Espanha, no caminho para San Sebastian, parámos em duas localidades bem recônditas mas fantásticas com uma beleza inigualável - Hondarribia e Pasaia-Donibane. As imagens falam por si.




(Hondarribia)

(Pasaia-Donibane)
Finalmente, chegámos a San Sebastian, esse grande cidade. E chegámos no dia certo, pois nem de propósito, a cidade encontrava-se em festa. Que rica coincidência! Mais uma vez, pousámos a tralha na pousada e fomos explorar a cidade. Espectacular!! E claro, mais uma vez, juntámo-nos à festa!

Dia 5 - Regresso a Portugal, portanto, uma longa viagem! No entanto, pelo caminho, ainda fizémos uma perninha a Salamanca. Mais uma grande cidade. Deixámos para trás Espanha e entrámos no nosso Portugalito, que tanto gostámos, mas que todas sabemos que pode ainda ser ainda muito mais!!
Bela viagem esta pelo País Vasco. Não acham?