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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Valência


Com a oferta atual de voos baratos para Valência, decidimos fazer uma escapadinha de 2 dias à terceira maior cidade da Espanha.

Ficámos no bairro de Quatre Carreres, no B&B Hotel Valencia Arena, perto da Ciudad de las Artes y las Ciencias, uma zona sossegada e com espaços verdes.

A cidade tem uma excelente rede de transportes públicos mas também é possível percorrer a cidade a pé.
No 1º dia visitamos a Cidade das Artes e das Ciências, um complexo composto por seis grandes edifícios com uma arquitetura vanguardista e futurista. Percorremos os 2 km do complexo mas só o admiramos por fora.
De seguida entramos a pé pelos Jardins del Turia, e percorremos vários km até a Ciutat Vella. Os Jardins têm 9 km de extensão e atravessam a cidade, sempre com uma verdura luxuriante onde nos conseguimos abstrair completamente do busílis da cidade.
Chegadas à Ciutat Vella, percorremos as pitorescas ruas do centro histórico.
Entre os principais pontos estão:
- Catedral de Valência
- Plaza de la Virgen
- Lonja de la Seda
- Mercado Central
- Palácio del Marquès de Dos Aigües
- Torres de Serranos
- Bairro del Carmen
- Mercado de Cólon

La Seu é a Catedral de Valência, o maior templo da cidade. Oficialmente Catedral de Santa Maria, a magnífica igreja gótica alberga, numa capela dedicada, o Santo Cálice do século I (que se pensa, ser o Santo Graal). A torre do campanário conhecida como Miguelete (El Micalet) é um dos grandes símbolos de Valência.

Nas costas da Catedral encontrámos a Plaza de la Virgen que é uma praça pitoresca e animada que se situa onde outrora existiu um fórum romano, o que faz desta zona a mais antiga de Valência. Hoje é casa de animados cafés e incríveis edifícios como, no meio da praça está a Fonte do Túria que representa o rio Turia.

A Lonja de la Seda é um edifício onde funcionava o mercado da seda no século XV (o Século de Ouro Valenciano). Este edifício é considerado um dos exemplares mais bonitos da arquitetura gótica civil da Europa e por isso classificado como Património da Humanidade pela UNESCO.

O Mercado Central é a admirável joia do modernismo valenciano, mas a verdadeira experiência está nas mais de mil bancas de produtos frescos e espaços de restauração que enchem o interior de cor e vida. Aqui compramos os famosos produtos de charcutaria espanhola. 
Na parte exterior do edifício há também muitas bancas e restaurantes com comida e bebida, onde aproveitamos para almoçar, uma vez que os restaurantes do interior estavam lotados.

A poucos metros da Praça da Catedral, encontra-se também outra das joias da cidade, o Palácio do Marquês de Dos Águas, um palácio do século XVIII, cuja fachada é de deixar qualquer um sem palavras e que alberga atualmente o Museu Nacional de Cerâmica e Artes Suntuárias “González Martí”.

A Torre Serranos e Torre de Quart são os portões sobreviventes das muralhas medievais da cidade. Ao passarmos os portões entrámos no Bairro del Carmen, um vibrante distrito do centro histórico em Valência, conhecido pelas suas ruas estreitas repletas de cafés, bares de tapas, boutiques e lojas de souvenirs.

O Mercado de Colón localiza-se em Eixample, um bairro “chique” e de luxo na cidade de Valência. Aqui aproveitámos para experimentar a orxata - uma típica bebida valenciana. A Horchata é uma bebida não alcoólica elaborada com água, açúcar e os tubérculos de uma planta herbácea chamada chufa.

Uma coisa muito boa de Valência é poder alternar turismo cultural com dias de praia. Por isso, decidimos visitar a praia mais perto do centro - Playa del Cabanyal. Para aqui chegar foi muito fácil, pois o que não faltam são opções de autocarros públicos e estações de metro.

Outra experiência imperdível em Valência é a experiência gastronómica, pois falar de Valência é falar de Paella. Não podíamos perder a parte essencial da experiência valenciana e por isso jantámos no Restaurante Pelayo onde comemos a melhor paella na nossa vida.

Valência é uma cidade cuja visita é obrigatória pois oferece um pouco de tudo: história, modernidade, praias e uma gastronomia incomparável. É uma cidade para caminhar sem pressa, para descobrir monumentos históricos e experimentar uma verdadeira paella.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A tempestade Kristin

Na madrugada do dia 28 de janeiro de 2026 Portugal foi assolado por uma tempestade sem precedentes - a tempestade Kristin.

Tal como estava previsto, começou a formar-se nos Açores e moveu-se muito rapidamente para o continente português, tendo entrado e se intensificado entre a região de Leiria e da Figueira da Foz.

A tempestade, sobretudo o vento, começou a ser sentida logo depois da meia noite, tendo atingido a sua intensidade máxima entre as 4h00 e as 6h00 da manhã, altura em que despertei do sono com as fortes rajadas de vento que ultrapassavam os 100 km/h (registada uma rajada de cerca de 187km/h, na Base Aérea de Monte Real, e mais de 208 km/h na estação automática de Soure).

Foram horas de terror pois as rajadas de vento eram tão intensas e os barulhos eram tão fortes que julguei que a casa iria voar...

Quando saímos à rua no dia seguinte, percebemos o rasto da devastação, pois o cenário era desolador - casas destelhadas, placas de trânsito dobradas, postes de cimento partidos como galhos, fios de eletricidade espalhados pela via pública, árvores arrancadas e caídas na estrada, inundações, corte de eletricidade, de água e das telecomunicações ...um cenário dantesco.

Os estragos foram imensos e estava instalado "o maior apagão da nossa história". Em Leiria estivemos mais de 15 dias sem eletricidade, dependentes de geradores e da recolha de água da chuva para as tarefas básicas diárias, sem qualquer ligação ao mundo exterior, com alimentos a estragarem-se nas arcas frigoríficas...

Além dos imensos danos materiais, contabilizaram-se 6 mortos, por queda de estruturas e árvores. Outras vítimas se sucederam, nos trabalhos de reconstrução/reparação de estruturas...

O impacto ambiental desta tempestade também foi brutal, pois estima-se que a tempestade tenha derrubado cerca de 8 milhões de árvores apenas na região de Leiria, modificando permanentemente a paisagem.

Esta tempestade foi sem dúvida o maior desastre natural da história contemporânea do país — pois deixou um rasto de destruição infra estrutural, económico e ambiental, para além do impacto psicológico que teve em todos os que a vivenciaram.