Tal como estava previsto, começou a formar-se nos Açores e moveu-se muito rapidamente para o continente português, tendo entrado e se intensificado entre a região de Leiria e da Figueira da Foz.
A tempestade, sobretudo o vento, começou a ser sentida logo depois da meia noite, tendo atingido a sua intensidade máxima entre as 4h00 e as 6h00 da manhã, altura em que despertei do sono com as fortes rajadas de vento que ultrapassavam os 100 km/h (registada uma rajada de cerca de 187km/h, na Base Aérea de Monte Real, e mais de 208 km/h na estação automática de Soure).
Foram horas de terror pois as rajadas de vento eram tão intensas e os barulhos eram tão fortes que julguei que a casa iria voar...
Quando saímos à rua no dia seguinte, percebemos o rasto da devastação, pois o cenário era desolador - casas destelhadas, placas de trânsito dobradas, postes de cimento partidos como galhos, fios de eletricidade espalhados pela via pública, árvores arrancadas e caídas na estrada, inundações, corte de eletricidade, de água e das telecomunicações ...um cenário dantesco.
Os estragos foram imensos e estava instalado "o maior apagão da nossa história". Em Leiria estivemos mais de 15 dias sem eletricidade, dependentes de geradores e da recolha de água da chuva para as tarefas básicas diárias, sem qualquer ligação ao mundo exterior, com alimentos a estragarem-se nas arcas frigoríficas...
Além dos imensos danos materiais, contabilizaram-se 6 mortos, por queda de estruturas e árvores. Outras vítimas se sucederam, nos trabalhos de reconstrução/reparação de estruturas...
O impacto ambiental desta tempestade também foi brutal, pois estima-se que a tempestade tenha derrubado cerca de 8 milhões de árvores apenas na região de Leiria, modificando permanentemente a paisagem.
Esta tempestade foi sem dúvida o maior desastre natural da história contemporânea do país — pois deixou um rasto de destruição infra estrutural, económico e ambiental, para além do impacto psicológico que teve em todos os que a vivenciaram.