segunda-feira, 2 de outubro de 2017

PR3 MDB

Fisgas de Ermelo


Nada melhor que aproveitar o fim-de-semana para conhecer melhor Portugal e fazer um trilho pedestre. Desta vez, juntamo-nos 3 amigas e fomos para norte, distrito de Vila Real. Resolvemos fazer o trilho das Fisgas do Ermelo que fica em plena Serra de Alvão. É um trilho circular de aproximadamente 12,4 km com um alto grau de dificuldade mas com paisagens magnificas.
Passa por locais de interesse ambiental e geológico de que se destacam as Quedas de Água das Fisgas de Ermelo, as pequenas lagoas de água cristalina designadas por Piocas de Baixo e de Cima e as singulares aldeias de montanha.

Iniciamos o trilho nas quedas de água das Fisgas de Ermelo e daí partimos em direção às Piocas de Baixo e depois Ermelo. Nos entretantos, perdemo-nos pois deixamos de ver as marcações por distração e perdemos algum tempo a retomar o trilho. Por sorte chegamos à aldeia de Ermelo onde fizemos uma paragem no café da aldeia que é um verdadeiro oásis. As horas já tardavam e o cansaço já teimava, e por ainda faltarem muitos quilómetros pela frente (7 km) pedimos boleia até às Piocas de Baixo e poupamos 5 km a andar. Batota, eu sei, mas tivemos receio das horas e do pôr-do-sol. Fica para a próxima!
Visitamos as Piocas de Cima e seguimos o resto do trilho até ao fim.

É sem duvida um percurso de rara beleza mas com grandes desníveis, o que o torna desafiante e que vale a pena pelas suas deslumbrantes paisagens. A Natureza em todo o seu esplendor!

Ao fim do dia, fomos para Mondim de Basto, onde pernoitamos no Hostel Carvalho. Mondim de Basto foi uma bela surpresa. Uma vila muito bonita, cheia de vida, com gente jovem e bonita. Jantamos no restaurante Casa da Cainha, que foi muito bom e recomendamos.

No dia seguinte, após o pequeno-almoço o plano era ir até a cidade de Vila Real que não fica muito distante. Chegadas lá, andamos um pouco a pé pela cidade e fizemos uma paragem na Pastelaria Gomes. Depois, seguimos viagem até Pinhão, passando por Mateus e Sabrosa. Chegamos a Pinhão à hora de almoço e nada melhor que comer numa esplanada à beira do rio Douro. Que maravilha!
Fizemos a famosa estrada N222, considerada a estrada mais romântica do país e que faz bem jus à fama que tem.
Estas paisagens do Alto Douro Vinhateiro são sem duvida de tirar o fôlego. Chegamos a Peso da Régua e tomamos a direção para sul, para Lamego onde fizemos nova paragem para lanchar. De lá regressamos a Coimbra.
Foi sem duvida um fim-de-semana relaxante e que deu para confirmar aquilo que há muito já sabemos: Portugal é mesmo um dos países mais bonitos do mundo!


domingo, 1 de outubro de 2017

Percorrer as praias da costa alentejana

O objectivo destas férias foi conhecer as praias da costa alentejana e vicentina. Esta região é sem duvida das mais bonitas de Portugal.
Uma semana não chega para explorá-la mas é melhor do que nada. O sonho seria fazê-la numa carrinha pão de forma, mas até lá terá que ser no meu velhinho Volkswagen Polo.
A viagem iniciou-se em Porto Covo.

1. Porto Covo

Quando chegamos a Porto Covo e às pequenas praias ficamos deslumbrados com as magníficas areias brancas e águas azuis.
A aldeia de Porto Covo é tão pitoresca e pacata, que faz-nos sentir bem . Esta aldeia conseguiu ao longo dos anos, preservar toda a traça tradicional que lhe confere tamanha beleza, tornando-a especial.
Quanto ao alojamento o parque de campismo é uma boa solução. 

Aqui vale a pena visitar:
- Praia dos Buizinhos
- Praia Grande de Porto Covo
- Praia da Samoqueira
- Praia da Ilha do Pessegueiro 


2. Aljezur

Aljezur já é Algarve e vale muito a pena conhecer. A cidade de Aljezur tem um castelo na parte antiga da cidade cujas ruelas antigas e estreitas nos levam até lá.
Do alto do castelo tem-se uma vista soberba.

Nesta região vale a pena ir até:
- Praia da Amoreira. Na foz do rio de Aljezur, existe esta espectacular praia rodeada de dunas e falésias, mar e rio.
- Praia da Arrifana. Bastante conhecida e movimentada, é a praia rainha do surf do litoral de Aljezur.
Esta praia está situada numa bela enseada em forma de concha, protegida do vento e das ondas, o que a torna perfeita.
- Praia Monte Clérigo
- Praia Vale dos Homens

3. Odeceixe

É a primeira praia do Algarve para quem se desloca pelo litoral vindo do norte.
A belíssima aldeia de Odeceixe esconde esta praia magnífica com uma língua de areia na foz da ribeira de Odeceixe. A praia é magnífica, com parte de rio e mar, mas as vistas do promontório em frente são ainda mais avassaladoras.

4. Praia do Carvalhal

Terminei as ferias na praia do Carvalhal, a sul da Zambujeira do Mar. Esta é uma bela praia com um areal bastante grande, especialmente na maré baixa, e o mar magnífico.
Aqui decidi mimar-me um pouco e escolhi o Monte Carvalhal da Rocha para ficar alojada. Trata-se de um alojamento de qualidade e conforto um pouco superior aquele a que estive habituada ao longo das ferias. E revelou-se o local ideal para terminar as férias.

Perto daqui temos a Praia Azenhas do Mar, que em termos de beleza não é nada extraordinária e temos a Praia dos Machados, que é uma praia deserta sem acessos mas que vale a pena conhecer.
É possível ir a pé desta praia até a Praia do Carvalhal, pela rota vicentina,que por aqui passa.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pelo Médio-Oriente: Jordânia e Dubai


O Médio-Oriente revelou-se uma região cheia de encantos, com principal destaque para a Jordânia.

A Jordânia é um país surpreendente, acolhedor e seguro, tendo em conta a região do globo onde se encontra. Percorremos o país de carro, de norte a sul e a verdade é que os check-points nas estradas são uma constante, sobretudo nas estradas que ligam à Síria e aos territórios palestinianos. Mas tudo com muita tranquilidade.

O povo jordano é extremamente simpático, pois a frase mais ouvida durante a nossa estadia foi "Welcome to Jordan". Por todo lado onde deambulávamos sozinhas não só não tivemos qualquer tipo de problema como fomos surpreendidas pela arte de bem receber e pela simpatia das pessoas, na sua generalidade, sempre disponíveis para nos ajudarem.

Tudo isto contribuiu para tornar a nossa estadia muito agradável neste pequeno mas surpreendente país. Imagem que teima em não aparecer nos media!

A viagem começou pela capital Amã. Esta divide-se em parte moderna e parte antiga. Nós optamos por ficar alojadas na parte antiga, mais perto das atracções turísticas. Visitámos o Teatro Romano, a Citadela, outrora designada por Philadelphia quando dominada pelo Império Romano. Daqui a vista sobre a cidade é magnifica pois avistam-se todas as suas colinas (19). Assistir daqui de cima a última oração do dia é também uma experiência soberba. Ouvir as mesquitas entoarem o cântico a convocar os fiéis, é indescritível pois a melodia propaga-se pela cidade, tornando o momento místico e único.

Contudo, a Jordânia tem um aspecto menos positivo.
A rede de transportes públicos é quase inexistente e por isso a deslocação pelo país torna-se muito difícil. Por essa razão tivemos que recorrer a um motorista para nos transportar aos sítios. Encontrámos o Fouad ao acaso que se revelou uma bela surpresa pois tornou a viagem única.
Mostrámos-lhe o nosso roteiro, ele propôs um preço e lá nos pusemos por estrada fora de norte a sul.

A primeira paragem foi o Mar Morto, um dos ícones do Médio Oriente e que banha a Jordânia, Israel e Cisjordânia. É o local com maior altitude negativa do planeta, pois está 390m abaixo do nivel do mar. E por isso existe uma alta concentração de sal na água. Como resultado o desenvolvimento de vida é impossível e quando estamos dentro de água passámos o tempo todo a flutuar. Mal se entra na água deixamo-nos levantar, o nosso corpo bóia e é difícil voltar a colocarmo-nos de pé. É uma sensação extraordinária e indescritível. É diferente de tudo o que já experimentei. O acesso ao mar poderá se tornar difícil quando não é feita por um hotel e tem que se pagar. Nós fomos pela praia publica Amman Beach, pela quantia de 18JOD com direito a piscina no final.

Muitos dos locais de importância bíblica espalham-se por esta região, pois coincide com a linha de fronteira entre a Jordânia e Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel desde 1967. Um destes locais bíblicos é o Monte Nebo, que se ergue no final de uma cadeia montanhosa, na orla do Mar Morto. Trata-se de um cume com vista para Jericó, Belém e Jerusalém, que ficam do outro lado da fronteira. E é por estas vistas que este monte é conhecido na bíblia, pois é daqui que Moisés terá avistado a Terra Prometida. Nós não tivemos essa sorte pois a neblina não deixou. Aqui neste local ergue-se uma basílica e é considerado lugar santo.

À medida que vamos percorrendo as estradas da Jordânia é possível observar um pouco por todo o caminho beduínos e suas tendas. Estes são um povo nómada nativo que constituem uma fracção considerável da população. É curioso ver a forma primitiva como vivem. São gentes do deserto, que vivem da pastorícia, vivem dependentes da natureza e cuja vida se torna por vezes muito penosa.

Terminámos o 1º dia em Madaba que é uma pequena cidade calma e que a partir do séc. IV tornou-se um importante centro de Cristandade, e hoje continua a ser a cidade da Jordânia com maior presença de cristãos e de igrejas cristãs. As principais atracções turísticas da cidade estão relacionadas com o mosaico da Igreja de S. Jorge que representa o mapa mais antigo da Terra Santa.

No 2º dia, reiniciámos a viagem e rumámos pela Estrada do Rei, estrada de 330 km, cheia de história que liga o norte ao sul. Por aqui passaram judeus a caminho da Terra Santa, Nabateus a caminho de Petra, Cruzados a caminho das suas fortalezas no deserto e peregrinos islâmicos a caminho de Meca.
Logo nos deparamos com a magnifica e imponente garganta de Wadi Mujib, desfiladeiro cuja beleza e imponência arrasa com os nossos sentidos.
A paragem seguinte foi Al-Karak, cidade mais conhecida por albergar uma pérola da engenharia dos Cruzados, a fortaleza de Karak, quartel-general dos Cruzados no séc. XII.
A outra paragem foi o Castelo de Shobak, mais um castelo dos cruzados, este isolado num promontório rochoso e também uma verdadeira fortaleza.
Continuámos viagem até Petra, onde terminámos o dia, a ver o pôr-do-sol , no terraço do nosso alojamento Valentin Inn (http://www.valentine-inn.com/) e a beber chá, ritual agradável deste país.

O 3º e 4º dia foram completamente dedicados a Petra, sem dúvida a maior atracção turística da Jordânia. Para se visitar todos os locais de Petra são necessários vários dias e é por essa razão que existem bilhetes de 1, 2 ou 3 dias. Nós comprámos um bilhete de 2 dias que nos custou 55 JOD (aproximadamente 70€).
Petra é uma cidade que foi construída pelos Nabateus, cujo sucesso deste povo assentou no aproveitamento, controle e conservação da água, bem precioso e escasso neste terreno desértico.
A cidade é constituída pelo Siq - a serpente, que é a entrada para Petra, que nos leva até o Tesouro e até muitos outros monumentos.
Percorrer o Siq é por si só uma experiência memorável. Caminhar ao longo deste e visualizar as rochas erodidas pelo tempo com as suas tonalidades é algo mágico!
Outro momento único é aquele em que a fachada do Tesouro surge por uma abertura nas escuras e apertadas paredes do Siq. Este monumento é o mais bem conservado da cidade, com uma fachada  de tirar a respiração e que tem este nome, pois pensava-se que albergava o tesouro de um rei.
A cidade está cheia de trilhos, e fazer o trilho para subir ao ponto alto onde se tem uma vista privilegiada do Tesouro é algo impressionante. O trilho é um pouco difícil, pois é sempre a subir, mas vale muito a pena!
Outro dos monumentos emblemáticos desta cidade é o Mosteiro, que fizemos no 2º dia. Para lá chegar, tivemos que subir 800 degraus, tarefa árdua mas que também vale muito a pena. Há a possibilidade de subir de burro, mas nós optámos por ir a pé. Claro!

5º dia e deslumbradas com Petra, seguimos viagem para o deserto Wadi Rum. Tentar enumerar o que Wadi Rum tem de especial é tarefa dificil, digamos que é como entrar noutro mundo. Trata-se de um deserto com uma vastidão de areias rosa onde se erguem monumentais rochas verticais esculpidas pelo tempo. Percorremos uma pequena parte do deserto de jipe para contemplar a paisagem magnifica.
As tribos beduínas são a alma de Wadi Rum. Pernoitámos num acampamento no deserto, onde fomos muito bem recebidas pelo beduíno Said. Passámos a noite a conversar, comer e a beber chá à beira de uma fogueira. O jantar foi tipicamente beduíno, ou seja, confeccionado na Zaarp, forno escavado na areia e revestido com brasas onde se coloca a carne, batatas e os vegetais, durante horas. O resultado é absolutamente delicioso.

No 6º dia de viagem saímos do deserto e fomos dar um salto à cidade de Aqaba, que fica no sul da Jordânia e faz fronteira com a Arábia Saudita e o Egipto. É uma cidade grande e moderna que nada parece ter haver com o resto da Jordânia. Parece o Algarve jordano. Banhada pelo Golfo de Aqaba com águas quentes e um clima veraneante durante todo o ano, aqui fomos dar um mergulho no Mar Vermelho, numa praia publica, que se tornou um pouco desconfortável pelos olhares perscrutadores. Daí haver praias publicas e privadas!! Foi uma experiência.
Saímos de Aqaba e voltámos a Amman de carro que demorou praticamente o resto do dia.

Todas as experiências vividas ao longo desta viagem contribuíram para tornar a nossa estadia neste pequeno, mas surpreendente país, muito agradável, onde a modernidade e a tradição andam de braço dado e as maravilhas do Homem e da Natureza surgem um pouco por todo o lado.

De Amman viajámos para o Dubai de avião. O Dubai é uma cidade dos Emirados Estados Unidos. É uma cidade com edifícios futuristas, ilhas artificiais, centros comerciais gigantes, hotéis de luxo, projectos megalómanos, carros de luxo, mulheres vestidas de preto e homens vestidos de branco. É um mundo completamente diferente de tudo o que já vi!
Aqui visitámos a torre mais alta do mundo - Burj Kalifa e o maior centro comercial do mundo - Dubai Mall.
A parte mais interessante foi visitar a parte mais antiga da cidade onde existem souks que são mercados de rua onde se vende tudo: especiarias, tecidos, souvenirs, etc. e onde a palavra de ordem para comprar é regatear! Aqui também visitámos o Gold Souk, famoso pela venda de ouro e jóias a um valor mais barato que no resto do mundo.
Fomos ainda a Abu Dhabi, a capital do país e aqui visitámos a mesquita Sheikh Zayed, a terceira maior do mundo e que apresenta uma belíssima arquitectura islâmica.

O Dubai foi uma experiência diferente e que valeu a pena conhecer pois pude contactar com um mundo moderno, extravagante e diferente do que estou habituada.





domingo, 12 de fevereiro de 2017

José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno




A exposição "José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno" está patente na Fundação Calouste Gulbenkian entre 03 de Fevereiro a 05 de Maio de 2017. 



Pintor, artista gráfico, autor de livros, com ligação ao cinema e ao teatro, aqui se expõe um património capaz de o colocar como homem do século XX.

É uma exposição imperdível, para ver e apreciar sem pressas.








terça-feira, 13 de dezembro de 2016

The Hundred-Foot Journey


Filme delicioso que vale a pena ver pelo argumento, imagem e musica. É todo um despertar dos vários sentidos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

China em 19 dias


Mais um destino no Oriente, desta vez foi a China. Foi uma viagem incrível, apesar de algum frio, chuva e das dificuldades com a língua (que já esperava!). Foi um pouco cansativa e difícil em alguns momentos mas muito gratificante, pois são as pequenas dificuldades que transformam uma viagem numa experiência única!
Foram 19 dias a percorrer muitos quilómetros, no entanto, saímos da China com a sensação que tem muito mais coisas para fazer e conhecer!

A 1ª cidade chinesa que visitámos foi Hong Kong e que ainda não é considerada China. Trata-se de uma Região Administrativa Especial com autonomia governamental e uma economia capitalista. É uma cidade moderna, agitada e cosmopolita, com inúmeros edifícios modernos e arranha-céus que formam o skyline da cidade. Trata-se da cidade com uma das maiores densidades populacionais do mundo, e que faz jus à fama de ser a cidade mais ocidental da Ásia, pois aqui existem placas por todo o lado em inglês e quase todos falam inglês.

Só quando aterrámos em Beijing é que nos apercebemos que chegámos realmente à China. A 1ª impressão ao chegar é que em território chinês, o inglês serve de pouco!! Por esse motivo, aprendemos rapidamente a certificarmo-nos de ter sempre as moradas dos hostels escritas em caracteres chineses!! Isto facilitou um pouco a viagem, porque boa parte da população não sabe falar inglês. A comunicação por vezes era feita através de sinais, o que se tornou muito eficiente em algumas situações. Algumas pessoas abordam-nos para poder praticar o inglês, pois existe uma curiosidade natural com os ocidentais. Outra forma de comunicação era através de aplicação de telemóvel que os chineses dominam.
2ª impressão é que o comportamento dos chineses, por vezes pode parecer estranho, pois tudo o que somos ensinados, desde pequenos, a não fazer, aqui é norma, tal como: arrotar alto em publico, escarrar e cuspir para o chão, abrir caminho aos empurrões, aspirar ruidosamente noodles...é todo um código de conduta muito sui generis!!
Quanto às cidades chinesas elas são cidades gigantes, super limpas, organizadas e modernas. As avenidas são enormes, com 3 a 4 faixas de cada lado (no mínimo), a construção é frenética, com inúmeras gruas a marcar o horizonte e a poluição está sempre presente no ar, comprometendo bastante a visibilidade. A poluição está tão presente que é praticamente impossível ver o céu azul e o sol.

Beijing é uma cidade colossal e moderna, que impressiona pela sua imponência e grandiosidade. É completamente impossível de ver tudo o que tem para oferecer de uma só vez. Visitámos as atracções principais: Cidade Proibida, Praça Tiananmen, a Grande Muralha da China e o Palácio de Verão, não dando para muito mais.

Para entrar na Cidade Proibida temos que passar obrigatoriamente pela Praça Tiananmen, praça com segurança muito apertada e considerada a maior praça do mundo. Esta possui uma enorme carga cultural, pois foi palco de vários acontecimentos ao longo dos anos na história deste país. Aqui está presente a herança de Mao Tsé-Tung, tal como revela a sua enorme fotografia pendurada no prédio de entrada para a Cidade Proibida.

A Cidade Proibida é o complexo arquitectónico mais majestoso da China, com os seus vários edifícios. É uma autêntica cidade dentro de outra cidade. Destaca-se pelos seus detalhes de construção e pelas suas cores, pois abunda o uso da cor vermelha, amarelo e azul e abundam as pessoas. No país mais populoso do mundo é sempre tanta gente que às vezes parece que estamos num parque temático gigante.

É através de Beijing que se pode aproveitar para visitar alguns troços da Grande Muralha da China. Considerada uma das maiores obras da humanidade, esta é constituída por um conjunto de muros e fortalezas defensivas com cerca de 7,200 km, distribuída por 6 províncias e regiões autónomas chinesas. Alguns troços são mais turísticos que outros, obviamente optamos pelo menos turístico - Mutianyu, que fica um pouco mais distante de Beijing (70 km). A intenção era visitar a muralha de forma independente, mas devido à falta de tempo e de algum receio de nos perdermos, decidimos ir no tour organizado pelo hostel e que foi tranquilo. Contudo, a visita foi uma desilusão, devido ao mau tempo. Não conseguimos ter visibilidade para além de 1 metro de distância e por isso não conseguimos vislumbrar a muralha a serpentear os cumes dos montes, tal como é conhecida! Valeu pela experiência de andar pela muralha, a percorrer as subidas e descidas íngremes. Foi também interessante e uma experiência única observar a forma como os turistas chineses se comportam!!
Neste dia tivemos ainda a oportunidade de comer um almoço tradicional chinês. Ao contrário do que se julga, a cozinha chinesa é saborosa e bastante equilibrada que aposta na variedade, muito mais do que o que se prova num qualquer restaurante chinês ocidental.

Ainda em Beijing pudemos experienciar a sensação de viver num hutong pois ficámos alojados no Hostel Downtown Backpackers que se situa mesmo no centro do hutong de Nanluoguxiang. Os hutongs são bairros característicos, onde vivia a população local, com ruas apertadas, paradas no tempo, ladeadas em toda a extensão por corredores de muros cinzentos, que foram construídos há centenas de anos e são um símbolo da história da cidade.

Deixámos Beijing e viajámos no comboio nocturno até Datong. Lemos em vários blogs que comprar viagens de comboio na China poderia tornar-se uma tarefa difícil, pois por vezes poderá estar esgotado ou o comboio ser até inexistente, por isso sempre que precisámos pedíamos à recepção do hostel (com quem habitualmente conseguíamos conversar em inglês), para o fazer por nós, pagando uma comissão (claro!) e foi sempre tranquilo. Dormir no comboio não foi assim tão mau, até porque quem já dormiu no comboio na Índia, este é para bebés!!

Chegámos a Datong. Esta é uma cidade cinzenta marcada pela forte poluição. O problema da poluição do ar na China é uma realidade em quase todas as cidades, pois em todas existe uma industria fortemente dependente do carvão, pois não fosse a China o maior produtor e consumidor, deste minério, no mundo!!
Datong é a porta de entrada para se poder visitar as incríveis grutas de Yungang situadas a alguns kms de distância da cidade. Sem querer exagerar estas são surpreendentes. É difícil encontrar um adjectivo para descrever este lugar fantástico. Existem cerca de 45 grutas com estátuas de Buda escavadas na pedra. Entrar em cada gruta torna-se uma surpresa, pois algumas grutas estão totalmente trabalhadas e esculpidas criando um aspecto de tirar o fôlego.

Chegámos a Pingyao de comboio. Esta é uma pequena cidade amuralhada, classificada como Património Mundial pela UNESCO. É considerada a melhor e mais bem conservada cidade medieval chinesa. Percorremos as ruelas de Pingyao com a sensação de termos recuado no tempo, pois esta mantém-se intacta.

Mais uma cidade, mais uma viagem de comboio, mas desta vez no High Seed Train. O destino final era Xi'an, a capital da província de Shaanxi. Trata-se de uma das mais antigas cidades da China, outrora o ponto de partida da Rota da Seda, de onde partiam os mercadores em direcção ao Ocidente. Continua a ser uma cidade onde se sente um grande mix cultural, bem visível quando visitámos o bairro muçulmano.

Xi'an é também o ponto de partida para ir ver os Guerreiros de Terracota, onde existem cerca de 8000 estátuas que foram construídas para proteger o 1º Imperador da China na vida para além da morte e que foram descobertos ao acaso durante a exploração de um furo para um poço, muito recentemente. Algumas estátuas ainda se encontram enterradas e desmembradas, mas todos os dias prosseguem os trabalhos de recuperação.

Há muito que sonho em viajar ao Tibete, no entanto, não tendo sido ainda possível resolvemos incluir Shangri-la no roteiro, que fica na província Yunnan e que faz fronteira com a região autónoma do Tibete. Digamos que já é um pézinho no Tibete. A cidade fica no meio das montanhas numa altitude de 3200m o que por vezes poderá condicionar a tua forma física. Depois de uma China hiperpovoada, hiperindustrializada, hiperpoluida, chegámos a Shangri-la, uma região ainda vazia de gente, de construção, de poluição e de confusão. É como se entrássemos noutro país. Direi até que se parece muito com os Andes: as pessoas com os rostos queimados e escurecidos, o artesanato colorido, o vento gelado e até a música. Em vez de Lhama há o Iaque. E vale a pena provar a carne de iaque. É deliciosa!
Shangri-la foi uma das minhas cidades preferidas da viagem. Aqui desacelerámos o ritmo e relaxamos. Andámos de bicicleta a contemplar as belas paisagens que respiram tranquilidade. Um momento curioso e bonito foi um dia à noite, quando chegámos a uma praça e vemos a população a dançar em roda, ao som de musica popular. Parece que é prática habitual, todos os dias por volta das 19h reunirem-se na Dancing Square para dançar. Achei lindo demais!!
Visitámos ainda o famoso Ganden Sumtseling Stompa (mini Potala Palace), um dos mais famosos mosteiros budistas do sudoeste da China. Subir as escadas poderá se tornar uma tarefa difícil, devido à altitude, mas quando se chega ao topo e se contemplam os templos e a paisagem, tudo é absolutamente perfeito.

Guilin é uma cidade relativamente grande do sudeste da China. Daqui temos acesso aos terraços de arroz (Dragon's Backbones Terraces) e a Yangshuo.
Os terraços de arroz consistem numa área com campos de arroz incríveis, que foram construídos durante a Dinastia Ming há cerca de 500 anos atrás. Para chegar aos terraços fomos numa tour de chineses, num bus que demorou 3h, na qual a guia falou incessantemente, em chinês (claro!) sem percebermos uma única palavrinha que ela disse, o caminho todo. Chegados aos  terraços separamo-nos do grupo e sozinhos percorremos os terraços por um trilho com caminhos de pedras e inúmeras subidas e descidas, até que nos perdemos e por milagre voltámos a encontrar o destino final e o grupo. No entanto, valeu a pena nos perdermos pois, conseguimos ver uma paisagem incrível, de tirar o fôlego, que dificilmente será esquecida.

Yangshuo é uma pequena cidade rural, localizadas a aproximadamente 65 km de Guilin e é o sitio idílico para descansar. Tanto Guilin como Yangshuo são caracterizadas pelas formações kársicas que tornam a paisagem avassaladora. Aqui andámos descontraidamente de bicicleta, metendo-nos pelos caminhos de terra batida, que seguem de aldeia em aldeia, sempre paralelo às margens do rio Li Jiang. A paisagem é única, com tudo verde, muito verde, com extensos arrozais e as espantosas formações rochosas que se elevam do solo como pano de fundo.

Por fim, chegámos a Macau, que nos pareceu tão familiar como se estivéssemos a chegar a casa, pois todas as informações, as placas de ruas, de lojas e restaurantes estão escritas em português e vêem-se pastéis de nata por todo o lado. No entanto, apesar do português ser língua oficial, ninguém fala português.
Macau divide-se em 2, de um lado a parte histórica e do outro lado a parte moderna. No centro histórico pode-se ver a calçada portuguesa e as construções em estilo português com as suas inúmeras igrejas e que são realmente bonitas. Do outro lado situa-se a parte moderna onde as igrejas são substituídas por inúmeros casinos que fazem cair o queixo, pois não é à toa que é considerada a "Las Vegas Oriental".
Foi sem dúvida um privilégio e orgulho poder visitar esta cidade onde a nossa herança cultural está ainda tão presente.

Ao fim de 19 dias a viajar pela China, esta revelou-se uma surpresa, tendo esta visita contribuído para mudar a ideia que tinha dela e para desmistificar alguns preconceitos.
Os chineses são um povo alegre, simpático, acolhedor, prestáveis, que tentam ajudar-te a todo o custo. Adoram quando os cumprimentámos com um "Ni hao" ou "xie xie". É também um país seguro, que cresce a olhos vistos, pois parece que 90% das gruas do mundo estão aqui!! O consumismo é frenético e a tradição há muito desapareceu.
No final, prevalece a ideia de que a China é sem dúvida um país grande, mas que quer ser muito maior!

Itinerário da viagem:
Dia 1 - Chegada a Hong Kong
Dia 2 - Hong Kong. Voo para Beijing
Dia 3 - Beijing
Dia 4 - Beijing
Dia 5 - Beijing. Comboio nocturno para Datong
Dia 6 - Datong. Grutas Yungang. Comboio para Pingyao (16h40). Chegada a Pingyao.
Dia 7 - Pingyao. Comboio rápido para Xi'an. Chegada a Xi'an.
Dia 8 - Xi'an
Dia 9 - Xi'an. Guerreiros de Terracota.
Dia 10 - Xi'an.
Dia 11 - Voo para Diqin (Shangri-la)
Dia 12 - Shangri-La
Dia 13 - Voo para Kunming. Voo para Guilin.
Dia 14 - Guilin.
Dia 15 - Guilin. Autocarro para Yangshuo.
Dia 16 - Yangshuo.
Dia 17 - Yangshuo. Autocarro para Guilin. Comboio rápido para Shenzhen. Ferry para Macau.
Dia 18 - Macau.
Dia 19 - Macau. Ferry para Hong Kong. Voo para Lisboa. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

De Castelo Novo a Monsanto

Fim de semana na Beira Baixa com amigos e porque não aproveitar para conhecer algumas aldeias históricas da região. Uma vontade minha já há bastante tempo. 
A 1ª visita foi a Castelo Novo que é uma aldeia entre a Guarda e Castelo Branco, cujas origens remontam ao século XII (o foral foi-lhe atribuído por D. Dinis em 1290). É uma aldeia típica encerrada no meio da serra, antiquada e bem tratada com o cunho dos templários cravado nas pedras.

É uma aldeia parada no tempo onde impera o silêncio. O ponto mais alto da aldeia é o castelo que possui uma bela vista sobre a Serra da Gardunha.


No dia seguinte rumamos até Monsanto, conhecida como a "Aldeia mais Portuguesa de Portugal". 
O ponto de chegada à aldeia começou numa subida íngreme pelas ruelas empedradas até o castelo.

Digamos que para chegar ao castelo é preciso alguma disponibilidade física, pois a subida é bastante inclinada e o percurso é longo, mas as vistas compensam tudo. 

De seguida, entramos na aldeia, propriamente dita, conhecida pela infinidade de ruelas com casas implantadas nas rochas que confere um certo equilíbrio arquitectónico, originando peças de construção únicas.

Chegados ao fim de tarde refugiamo-nos num café onde estivemos a contemplar o magnifico pôr-do-sol, com vista para um belo horizonte, tendo como referência a torre sineira encimada pelo galo de prata, imagem de marca da Portugalidade.


Foram apenas algumas horas, mas foi tempo suficiente para me render à beleza agreste de Monsanto. Adorei! Mesmo!

Estas aldeias são sem duvida locais de rico património cultural e arquitectónico e são locais de visita obrigatória em Portugal.