quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pelo Médio-Oriente: Jordânia e Dubai


O Médio-Oriente revelou-se uma região cheia de encantos, com principal destaque para a Jordânia.

A Jordânia é um país surpreendente, acolhedor e seguro, tendo em conta a região do globo onde se encontra. Percorremos o país de carro, de norte a sul e a verdade é que os check-points nas estradas são uma constante, sobretudo nas estradas que ligam à Síria e aos territórios palestinianos. Mas tudo com muita tranquilidade.

O povo jordano é extremamente simpático, pois a frase mais ouvida durante a nossa estadia foi "Welcome to Jordan". Por todo lado onde deambulávamos sozinhas não só não tivemos qualquer tipo de problema como fomos surpreendidas pela arte de bem receber e pela simpatia das pessoas, na sua generalidade, sempre disponíveis para nos ajudarem.

Tudo isto contribuiu para tornar a nossa estadia muito agradável neste pequeno mas surpreendente país. Imagem que teima em não aparecer nos media!

A viagem começou pela capital Amã. Esta divide-se em parte moderna e parte antiga. Nós optamos por ficar alojadas na parte antiga, mais perto das atracções turísticas. Visitámos o Teatro Romano, a Citadela, outrora designada por Philadelphia quando dominada pelo Império Romano. Daqui a vista sobre a cidade é magnifica pois avistam-se todas as suas colinas (19). Assistir daqui de cima a última oração do dia é também uma experiência soberba. Ouvir as mesquitas entoarem o cântico a convocar os fiéis, é indescritível pois a melodia propaga-se pela cidade, tornando o momento místico e único.

Contudo, a Jordânia tem um aspecto menos positivo.
A rede de transportes públicos é quase inexistente e por isso a deslocação pelo país torna-se muito difícil. Por essa razão tivemos que recorrer a um motorista para nos transportar aos sítios. Encontrámos o Fouad ao acaso que se revelou uma bela surpresa pois tornou a viagem única.
Mostrámos-lhe o nosso roteiro, ele propôs um preço e lá nos pusemos por estrada fora de norte a sul.

A primeira paragem foi o Mar Morto, um dos ícones do Médio Oriente e que banha a Jordânia, Israel e Cisjordânia. É o local com maior altitude negativa do planeta, pois está 390m abaixo do nivel do mar. E por isso existe uma alta concentração de sal na água. Como resultado o desenvolvimento de vida é impossível e quando estamos dentro de água passámos o tempo todo a flutuar. Mal se entra na água deixamo-nos levantar, o nosso corpo bóia e é difícil voltar a colocarmo-nos de pé. É uma sensação extraordinária e indescritível. É diferente de tudo o que já experimentei. O acesso ao mar poderá se tornar difícil quando não é feita por um hotel e tem que se pagar. Nós fomos pela praia publica Amman Beach, pela quantia de 18JOD com direito a piscina no final.

Muitos dos locais de importância bíblica espalham-se por esta região, pois coincide com a linha de fronteira entre a Jordânia e Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel desde 1967. Um destes locais bíblicos é o Monte Nebo, que se ergue no final de uma cadeia montanhosa, na orla do Mar Morto. Trata-se de um cume com vista para Jericó, Belém e Jerusalém, que ficam do outro lado da fronteira. E é por estas vistas que este monte é conhecido na bíblia, pois é daqui que Moisés terá avistado a Terra Prometida. Nós não tivemos essa sorte pois a neblina não deixou. Aqui neste local ergue-se uma basílica e é considerado lugar santo.

À medida que vamos percorrendo as estradas da Jordânia é possível observar um pouco por todo o caminho beduínos e suas tendas. Estes são um povo nómada nativo que constituem uma fracção considerável da população. É curioso ver a forma primitiva como vivem. São gentes do deserto, que vivem da pastorícia, vivem dependentes da natureza e cuja vida se torna por vezes muito penosa.

Terminámos o 1º dia em Madaba que é uma pequena cidade calma e que a partir do séc. IV tornou-se um importante centro de Cristandade, e hoje continua a ser a cidade da Jordânia com maior presença de cristãos e de igrejas cristãs. As principais atracções turísticas da cidade estão relacionadas com o mosaico da Igreja de S. Jorge que representa o mapa mais antigo da Terra Santa.

No 2º dia, reiniciámos a viagem e rumámos pela Estrada do Rei, estrada de 330 km, cheia de história que liga o norte ao sul. Por aqui passaram judeus a caminho da Terra Santa, Nabateus a caminho de Petra, Cruzados a caminho das suas fortalezas no deserto e peregrinos islâmicos a caminho de Meca.
Logo nos deparamos com a magnifica e imponente garganta de Wadi Mujib, desfiladeiro cuja beleza e imponência arrasa com os nossos sentidos.
A paragem seguinte foi Al-Karak, cidade mais conhecida por albergar uma pérola da engenharia dos Cruzados, a fortaleza de Karak, quartel-general dos Cruzados no séc. XII.
A outra paragem foi o Castelo de Shobak, mais um castelo dos cruzados, este isolado num promontório rochoso e também uma verdadeira fortaleza.
Continuámos viagem até Petra, onde terminámos o dia, a ver o pôr-do-sol , no terraço do nosso alojamento Valentin Inn (http://www.valentine-inn.com/) e a beber chá, ritual agradável deste país.

O 3º e 4º dia foram completamente dedicados a Petra, sem dúvida a maior atracção turística da Jordânia. Para se visitar todos os locais de Petra são necessários vários dias e é por essa razão que existem bilhetes de 1, 2 ou 3 dias. Nós comprámos um bilhete de 2 dias que nos custou 55 JOD (aproximadamente 70€).
Petra é uma cidade que foi construída pelos Nabateus, cujo sucesso deste povo assentou no aproveitamento, controle e conservação da água, bem precioso e escasso neste terreno desértico.
A cidade é constituída pelo Siq - a serpente, que é a entrada para Petra, que nos leva até o Tesouro e até muitos outros monumentos.
Percorrer o Siq é por si só uma experiência memorável. Caminhar ao longo deste e visualizar as rochas erodidas pelo tempo com as suas tonalidades é algo mágico!
Outro momento único é aquele em que a fachada do Tesouro surge por uma abertura nas escuras e apertadas paredes do Siq. Este monumento é o mais bem conservado da cidade, com uma fachada  de tirar a respiração e que tem este nome, pois pensava-se que albergava o tesouro de um rei.
A cidade está cheia de trilhos, e fazer o trilho para subir ao ponto alto onde se tem uma vista privilegiada do Tesouro é algo impressionante. O trilho é um pouco difícil, pois é sempre a subir, mas vale muito a pena!
Outro dos monumentos emblemáticos desta cidade é o Mosteiro, que fizemos no 2º dia. Para lá chegar, tivemos que subir 800 degraus, tarefa árdua mas que também vale muito a pena. Há a possibilidade de subir de burro, mas nós optámos por ir a pé. Claro!

5º dia e deslumbradas com Petra, seguimos viagem para o deserto Wadi Rum. Tentar enumerar o que Wadi Rum tem de especial é tarefa dificil, digamos que é como entrar noutro mundo. Trata-se de um deserto com uma vastidão de areias rosa onde se erguem monumentais rochas verticais esculpidas pelo tempo. Percorremos uma pequena parte do deserto de jipe para contemplar a paisagem magnifica.
As tribos beduínas são a alma de Wadi Rum. Pernoitámos num acampamento no deserto, onde fomos muito bem recebidas pelo beduíno Said. Passámos a noite a conversar, comer e a beber chá à beira de uma fogueira. O jantar foi tipicamente beduíno, ou seja, confeccionado na Zaarp, forno escavado na areia e revestido com brasas onde se coloca a carne, batatas e os vegetais, durante horas. O resultado é absolutamente delicioso.

No 6º dia de viagem saímos do deserto e fomos dar um salto à cidade de Aqaba, que fica no sul da Jordânia e faz fronteira com a Arábia Saudita e o Egipto. É uma cidade grande e moderna que nada parece ter haver com o resto da Jordânia. Parece o Algarve jordano. Banhada pelo Golfo de Aqaba com águas quentes e um clima veraneante durante todo o ano, aqui fomos dar um mergulho no Mar Vermelho, numa praia publica, que se tornou um pouco desconfortável pelos olhares perscrutadores. Daí haver praias publicas e privadas!! Foi uma experiência.
Saímos de Aqaba e voltámos a Amman de carro que demorou praticamente o resto do dia.

Todas as experiências vividas ao longo desta viagem contribuíram para tornar a nossa estadia neste pequeno, mas surpreendente país, muito agradável, onde a modernidade e a tradição andam de braço dado e as maravilhas do Homem e da Natureza surgem um pouco por todo o lado.

De Amman viajámos para o Dubai de avião. O Dubai é uma cidade dos Emirados Estados Unidos. É uma cidade com edifícios futuristas, ilhas artificiais, centros comerciais gigantes, hotéis de luxo, projectos megalómanos, carros de luxo, mulheres vestidas de preto e homens vestidos de branco. É um mundo completamente diferente de tudo o que já vi!
Aqui visitámos a torre mais alta do mundo - Burj Kalifa e o maior centro comercial do mundo - Dubai Mall.
A parte mais interessante foi visitar a parte mais antiga da cidade onde existem souks que são mercados de rua onde se vende tudo: especiarias, tecidos, souvenirs, etc. e onde a palavra de ordem para comprar é regatear! Aqui também visitámos o Gold Souk, famoso pela venda de ouro e jóias a um valor mais barato que no resto do mundo.
Fomos ainda a Abu Dhabi, a capital do país e aqui visitámos a mesquita Sheikh Zayed, a terceira maior do mundo e que apresenta uma belíssima arquitectura islâmica.

O Dubai foi uma experiência diferente e que valeu a pena conhecer pois pude contactar com um mundo moderno, extravagante e diferente do que estou habituada.